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A Europa teme o ultra-nacionalismo na Hungria e, esta semana, a Comissão Europeia abriu três procedimentos por infração contra Budapeste, pedindo mudanças urgentes de legislação considerada anti-democrática.

Por outro lado, a tensão com o Irão aumenta, com a UE a preparar um embargo sobre as importações de petróleo. E no que respeita a eleições nas instituições europeias, o líder dos eurodeputados socialistas, Martin Schulz, foi eleito presidente do Parlamento Europeu, não sei alguma polémica associada.

São os temas centrais do Europe Weekly desta semana, apresentado pela correspondente em Bruxelas, Margherita Sforza, que analisou em profundidade a crise com a Hungria, numa entrevista ao economista húngaro, Zsolt Darvas, que é Professor na Universidade Corvinus de Budapeste e investigador no Instituto Bruegel, em Bruxelas.

“Hungria precisa de conseguir apoio financeiro”

Margherita Sforza/euronews (MS/euronews): “Tendo em conta que a UE pede alterações sobretudo no que respeita ao banco central húngaro, a independência desta instituição está em risco?”

Zsolt Darvas/Instituto Bruegel (ZD/BI): “Uma das questões é que o ministro húngaro pode participar nos encontros do concelho monetário e, por isso, influenciar a tomada de decisões. Outro aspecto é o da obrigatoriedade da agenda das reuniões ser enviada, antecipadamente, para o ministro e desta forma torna-se difícil manter a confidencialidade dos encontros.”

(MS/euronews): “O primeiro-ministro Viktor Orbán esteve em Estrasburgo e prometeu rever algumas leis, mas poderemos acreditar nestas promessas?”

(ZD/BI): “Acredito que não será difícil mudar estes pontos e ainda outros menos importantes que a comissão apontou.”

(MS/euronews): “Temos o exemplo, no passado recente, da controversa lei da Imprensa. E a última rádio independente perdeu a frequência. Porque acha que será diferente agora?”

(ZD/BI): “Também em relação à lei da Imprensa, a Comissão Europeia exigiu alterações que foram implementadas pelo governo húngaro. Mas agora, acredito há ainda mais pressões para a mudança: a Hungria quer pedir ajuda financeira à Comissão Europeia e ao FMI. E o comissário Olli Rehn já deixou bem claro que as regras do banco central vão ter que mudar antes de começarem as negociações.”

(MS/euronews): “Uma das exigências de Bruxelas é uma mudança na lei judicial. Vê alguma dificuldade neste ponto?”

(ZD/BI): “O novo Supremo Tribunal vai ter um presidente que terá muito poder: por exemplo, vai ter a exclusividade na nomeação de juizes e distribuição dos casos pelos juizes. E não será muito inteligente que apenas uma pessoa tenha tanto poder no sistema judicial.”

(MS/euronews): “Qual é o risco de não haver acordo entre Bruxelas e Budapeste?”

(ZD/BI): “É fundamental que haja acordo, caso contrário será muito complicado para a Hungria conseguir apoio financeiro, os mercados não vão emprestar e o governo corre riscos de incumprimento.”

(MS/euronews): “Que apoio tem este governo nacionalista depois desta polémica com a Comissão Europeia?”

(ZD/BI): “De acordo com as últimas sondagens, a popularidade do governo caiu, mas continua com uma grande vantagem em relação aos partidos da oposição. E o primeiro-ministro é o terceiro político mais popular na Hungria.”

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