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Finlândia, apesar de campeã de Triplo A também tem problemas

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Finlândia, apesar de campeã de Triplo A também tem problemas

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A crise da dívida atingiu em força a campanha presidencial finlandesa.

A Finlândia é o país da zona euro mais atingido pela crise económica mundial. As exportações cairam a pique para -32% em 2009, o que, até então, garantia 45% por PIB.

A principal consequência foi a contração da economia na ordem dos 8%, em 2009. As medidas de relançamento económico ajudaram o país a reerguer-se um pouco, em 2010, mas essas mesmas medidas deixaram marca nas contas públicas: o rigor voltou a ser norma, quando o crescimento já sufocava.

Mais do que suficiente para preocupar os finlandeses. Apesar do país ser um dos quatro membros da zona euro que conserva o triplo A, e não foi sempre assim.

O bom aluno do norte também teve de passar pela no da degradação da nota na década de 90, que ainda tem bem presente.

O primeiro revés aconteceu na altura da queda do Muro de Berlim e do fim do bloco soviético. A Finlândia era a primeira porta comercial para o ocidente.

A reunificação alemã provocou, a seguir, uma alta generalizada dos juros europeus.

Perante o sobreendividamento das famílias e do sector privado, Helsinquia põe a mão no bolso e as despesas sociais explodem.

Excedentário em 1989, o orçamento do estado acusa um défice de 7% do PIB, três anos depois.

A Moody’s retirou-lhe o triplo A , no dia 20 de outubro de 1990. Em janeiro de 1992 baixou ainda mais um ponto na nota finlandesa. O Estado vê-se obrigado a socorrer os bancos, extremamente fragilizados.

A Finlândia lançou então uma campanha para recuperar a confiança baseada numa cura de austeridade sem concessões. A redução da despesa pública passou a ser prioridade absoluta.

O Estado liberalizou a economia: os sectores em crise foram deixados de lado para reorientar o capital para outros com mais potencial, como a tecnologia. Uma reforma fiscal favoreceu as empresas que investem em investigação.

Em 1993, com 18% da população activa no desemprego, muitos planos do Estado de bem-estar social postos em prática nos anos 60 tiveram de ser suspensos.

O orçamento recuperou o equilíbrio em 1997. No ano seguinte, a Finlândia entrou na zona euro para o euro e a Moody’s devolveu-lhe o precioso triplo A.

Actualmente, Helsinquia contribui com 33 mil milhões de euros para o resgate dos países com dificuldades do clube dos 17. Mas muitos finlandeses temem que um aumento da contribuição os afunde de novo no pesadelo da degradação da nota e da austeridade.

Grande parte da população manifestou-se contra a vontade da União Europeia de prestar mais dinheiro à Grécia, responsável pela própria desgraça, acusam.

No entanto a Finlândia tem interesse em ajudar a resolver a crise pois depende comercialmente da zona euro.