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Christine Lagarde: "2012 vai ser um ano de cura"

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Christine Lagarde: "2012 vai ser um ano de cura"

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Num momento decisivo para a economia mundial, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional pede respostas rápidas e colectivas aos europeus para impedir que países como Espanha e Itália tenham de ser resgatados, ameaçando a estabilidade do sistema.

O FMI participa com um terço da soma dos planos de ajuda a Portugal, Grécia e Irlanda mas a crise está longe de estar resolvida.

Num discurso em Berlim, Christine Lagarde apontou algumas pistas que deverão ser seguidas pelos europeus: “Do meu ponto de vista há três imperativos. O primeiro é um crescimento forte, o segundo uma maior linha de proteção e o terceiro é uma maior integração”.

A chefe do FMI defende, por exemplo, o reforço dos meios financeiros dos mecanismos de ajuda a países em dificuldades e a rápida implementação desses fundos. O Mecanismo Europeu de Estabilidade deverá ser dotado de 500 mil milhões de euros e Berlim recusa para já debater um aumento dessa soma. Christine Largarde é também a favor da criação das “euro obrigações”, por forma a partilhar os riscos. Mas este é outro tema ao qual se opõe a chanceler Angela Merkel.

A euronews entrevistou Christine Lagarde.

Stefan Grobe, euronews: Começo com as perspetivas económicas mundiais, no início de 2012. Nas últimas declarações mostrou-se preocupada com as perspetivas de crescimento e a incerteza crescente. Mas, recentemente, temos tido dados económicos positivos dos Estados Unidos, da Alemanha e da China. Não está a ser demasiado pessimista?

Christine Lagarde: Vimos certamente, nos últimos dias, sinais positivos, mas isso não resolve necessariamente os problemas que têm de ser resolvidos. Pensamos que 2012 deverá ser um ano de cura. Mas para isso têm de ser implementadas soluções abrangentes e de forma cooperativa. Por exemplo, os parceiros da zona euro devem focar-se no crescimento, no reforço dos meios de proteção e numa melhor e maior integração.

euronews: O FMI propôs, recentemente, aumentar a capacidade de empréstimo em cerca de 500 mil milhões de dólares depois de ter avaliado em um bilião de dólares as necessidades de financiamento nos próximos anos. É um número extraordinário. O que quer fazer com esta soma?

C. Lagarde: (risos) Não é, de certeza, pelo prazer de angariar elevados montantes e de brincar com grandes números. Calculamos as necessidades de financiamento para os próximos dois anos, numa base mundial, no caso de avançarem medidas sensatas.

euronews: A questão seguinte é: Quem vai financiar isto? Os americanos já anunciaram que não pretendem transferir fundos adicionais para o FMI e mesmo o G20, na cimeira do ano passado em Cannes, estava dividido sobre a questão. Os países da zona euro prometeram até 200 mil milhões de dólares, mas não é suficiente. Quem vai fornecer o resto dos fundos?

C. Lagarde: Há um compromisso por parte dos parceiros europeus. Recebi também indicações de outros membros do FMI que estão prontos a participar neste esforço, sobretudo, se os europeus dentro da zona euro decidirem reforçar o guarda-fogo. Neste momento há opções, negociações e vamos continuar as discussões com a esperança de que o FMI possa desempenhar o seu papel como esperam os seus membros e como está definido nos estatutos do Fundo.

euronews: Uma última pergunta: Vai estar presente esta semana no Fórum Económico Mundial. O que pretende concretizar? Quem quer encontrar?

C. Lagarde: (risos) Bem, em primeiro lugar quero e espero passar de forma adequada a minha mensagem de que o cenário que temos não é apenas de destruição e depressão mas que há também uma saída. Há espaço para um conjunto apropriado de políticas para reverter a situação. Tentarei também em Davos encontrar as mais variadas pessoas. Penso que na nossa economia mundial precisamos de toda a gente. Não temos de ser obstinados. Temos de estar abertos a novas ideias, a novos modelos e Davos ajuda nesse aspeto.