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Croácia adere à UE com abstenção de mais de metade do eleitorado

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Croácia adere à UE com abstenção de mais de metade do eleitorado

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Mais de 66% dos eleitores disseram “sim” à adesão da Croácia à União Europeia. A entrada do país deve ser formalizada no dia 1 de julho de 2013, depois de ratificada pelos 27 membros atuais.

O referendo de domingo foi aprovado com uma expressiva maioria e apoio de todos os partidos políticos. A única sombra foi o alto índice de abstenção. Só votaram 43,6% dos eleitores registados.

Na rua, há várias opiniões:

“-É bom que tenhamos votado a favor. Tenho seis filhos e penso que vão ter um futuro melhor, com uma formação adequada, por isso me parece tão positivo.”

“- Não temos outra opção, no entanto continuamos cépticos, é verdade”.

“- Acho que vamos ganhar muitas coisas boas com tudo isto. É evidente que também há aspectos negativos, mas é algo a que nos devemos habituar. Tudo depende principalmente de nós”

As longas e difíceis negociações entre a União Europeia e Zagreb começaram em 2005. Durante seis anos, Bruxelas negociou com o executivo conservador, mas o acordo de adesão acabou por ser assinado pelo governo de coligação de centro-esquerda.

O chefe do exectivo, Zoran Milanovic, está satisfeito:

“- Este é um momento crucial de nossa história, e seremos responsáveis pelas nossas decisões. Os sucessos e fracassos vão depender inteiramente de nós.”

Depois do que aconteceu com a Roménia e a Bulgária, a União está a exercer mais vigilância para manter a pressão sobre o futuro parceiro, pelo que se anuncia uma integração difícil.

Os indicadores económicos não estão no seu melhor momento. O crescimento está em marcha lenta, o salário médio é baixo, o desemprego ronda 18% e a dívida eleva-se a 102% do PIB.

Algumas razões que suscitam as críticas não dos euro céticos mas dos que acham que a Croácia necessita de mais tempo para se preparar para entrar no clube comunitário.

É o caso da deputada conservadora Ruza Tomasic:

“- Não estamos preparados para entrar na União Europeia. Devíamos ter melhorado a economia, aumentar primeiro as exportações, e só depois, entrar na União Europeia. A nossa economia está em más condições, as exportações afundam-se…vamos aderir à União Europeia de joelhos”

Os críticos são muitos. As razões divergem.

O argumento mais defendido é o da soberania: num país que ganhou, pela guerra, o direito à independência há 20 anos. Para os detratores, a adesão à UE é o mesmo que o regresso ao tempo da Jugoslávia.