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UE "arrisca" subida no preço do petróleo com embargo ao Irão

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UE "arrisca" subida no preço do petróleo com embargo ao Irão

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Um aumento do preço do petróleo, que agora ronda os 100 dólares por barril, é o efeito mais temido do embargo petrolífero ao Irão, aprovado pela União Europeia (UE) com forma de pressionar o país para travar o eventual desenvolvimento de uma bomba atómica.

Em causa está também encontrar fornecedores alternativos para três países da UE, que importam todos os dias 450 mil barris do Irão: a Itália (180 mil barris), a Espanha (160 mil) e a Grécia (100 mil).

A nível global dos 27 estados-membros, os principais fornecedores são o Canadá, México e Arábia Saudita. Este país do Golfo Pérsico, bem como o Kuwait, já disserem que poderão aumentar a produção por forma a vender mais à UE.

Mas no caso grego, em profunda crise financeira, a situação é mais delicada, porque o petróleo iraniano significa um quarto das suas necessidades e é comprado a um preço mais acessível, graças a um acordo bilateral com Teerão.

Implicações analisadas pelos chefes da diplomacia da UE, que decidiram que a implementação do embargado será faseada e só a 1 de Julho terão de estar cancelados todos os contratos. Mas em Maio deverá ocorrer uma reunião para analisar o impacto económico da medida.

“Não haverá muito impacto no cidadão comum”

O tema foi aprofundado pela correspondente da euronews em Bruxelas, Fariba Mavaddat, que entrevistou Mehdi Varzi, consultor sobre implicações geopolíticas do petróleo.

Fariba Mavaddat/euronews (FM/euronews): “Qual pode ser o impacto económico do embargo do petróleo iraniano sobre a já fragilizada economia europeia e como pode afetar o quotidiano dos cidadãos?”

Mehdi Varzi/consultor (MV/consultor): “Tem havido tanta discussão sobre este embargo económico e petrolífero que, francamente, penso que já não é muito levado em conta ao nível do preço do petróleo. Em termos práticos, penso que não terá muito impacto no cidadão comum. A não ser, é claro, que as coisas se incendeiem de repente.”

(FM/euronews): “E no caso da Grécia? Tem havido uma grande discussão sobre os temores da Grécia em perder o petróleo que importa do Irão com condições especiais e de não conseguir pagar o atual preço do petróleo no mercado.”

(MV/consultor): “A Grécia tem o direito de estar preocupada, mas os sauditas têm, na prática, aumentado a sua produção nos últimos meses. Atualmente, produzem mais de 10 milhões de barris por dia, o nível mais alto de que me lembro nos últimos 30 anos. Por isso, na verdade, há mais petróleo disponível no mercado. O Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também aumentaram a produção”.

(FM/euronews): “Trata-se de membros da OPEP – a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Será conforme às suas regras que um ou vários membros produzam mais, mesmo sem o apoio unânime da OPEP; contra o seu regulamento e contra, especificamente, um dos seus membros?”

(MV/consultor): “Legalmente falando, a OPEP tem o que chama de “atribuições”. Por outras palavras, determinadas quotas no âmbito de um teto máximo global. Mas em termos práticos, há muito tempo que ninguém presta atenção a essas quotas. Quanto mais o tempo passa, mais variações há na OPEP. Isto é, há diferenças entre a chamada quota legal e a quantidade efetivamente produzida por cada membro. Eu sempre disse que a OPEP vai produzir o que for exigido pelo mercado e que nunca permitirá que ocorram perturbações em termos de procura e oferta de petróleo”.

“Os principais membros da UE estão dispostos a apertar o cerco”

(FM/euronews): “Vamos voltar ao embargo: parece-me que a União Europeia tenta por diversas formas distanciar-se do embargo e que age sobretudo para satisfazer politicamente os Estados Unidos, que levaram vários países do mundo a adotar esta linha de pressão para aplicar um embargo. É justo dizer que os europeus tentam o mais possível manter o embargo como algo político e simbólico?”

(MV/consultor): “Bom, penso que não porque há países europeus muito importantes – em particular a Alemanha e a França, que são na realidade os dois membros líderes- que estão claramente a favor de apertar o cerco ao Irão. Outros países estão realmente preocupados com o limite da pressão a exercer, mas os principais membros estão de facto dispostos a apertar o cerco e a colocar mais pressão sobre a política nuclear do Irão”.

(FM/euronews): “O Irão está há muito familiarizado com as sanções. E como a China, a Índia e a Rússia não se vão juntar à Europa e aos Estados Unidos, até que ponto este é realmente um xeque-mate contra o Irão?”

(MV/consultor): “De facto não penso que qualquer sanção económica ou petrolífera europeia signifique um xeque-mate. Penso que a economia global, e em particular o mercado petrolífero, é demasiado flexível para que tal aconteça. Existem maneiras de vender petróleo iraniano, mesmo que seja com desconto. O mercado é adaptável, como eles dizem. Noutras palavras: move-se no sentido de satisfazer a procura existente de mais petróleo. Mas diria o seguinte: a pressão sobre a economia iraniana está a subir, como mostra o aumento do desemprego, da inflação e da pressão sobre a moeda local, o rial iraniano.”