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Primavera egípcia adiada durante um ano

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Primavera egípcia adiada durante um ano

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O parlamento egípcio recém-empossado vai ter de eleger um presidente, provavelmente Mohamed Saad el-Katatni, membro do Partido da Justiça e Liberdade que obteve o maior número de lugares no Parlamento.

Um ano depois da revolta da Praça Tahrir, mais de dois terços dos lugares do novo parlamento são ocupados por partidos islamistas, perseguidos no anterior regime.

Os cidadãos, no entanto, querem mais.É o caso de Ahmed Maher:

“- No plano político e em termos de objetivos nada foi realizado até agora, é praticamente o mesmo regime que continua no poder. Os mesmos empresários, vice ministros e chefes de administração, o próprio aparelho administrativo, ficaram lá todos, não mudaram”.

Os jovens revolucionários também esperam mais deste parlamento com maioria islamista e denunciam algumas manobras.

Foram eles os grandes derrotados nestas primeiras eleições pós-revolução, pois ajudaram na mobilização popular contra o regime e contestaram o poder dos militares, a autoridade máxima no Egito depois da queda de Hosni Mubarak.

Moaz Abdulkarim:

“A revolução conseguiu atingir os objetivos durante os primeiros 18 dias, depois, nada foi realizado. É por causa do poder institucionalizado, que tenta eleger um governo corrupto como o de Mubarak, pois há muita gente a lucrar”.

Para tranquilizar os egípcios, o marechal Hussein Tantawi, chefe da cúpula militar, oficializou a transferência da capacidade legislativa da Junta Militar para o Parlamento e prometeu que também vai ceder os restantes poderes ao presidente, que terá de ser eleito antes de junho.

Mas as desigualdades sociais não se amenizaram neste ano. pelo contrário: a população vive uma crise sem precedentes por causa da quebra no turismo.

“- Gostava de assistir a verdadeiras mudanças no meu país, pessoalmente não senti nenhuma mudança, apenas eleições e a chegada ao poder dos islamistas, que ganharam”.

“- Sou um simples cidadão egípcio sem cor política e não faço reivindicações pessoais. Depois de um ano, não ganhámos nada e roubaram-nos a nossa revolução.”

Os egípcios aproveitam o aniversário da revolução para homenagear “o sonho dos mártires” e exigem indemnização às famílias das centenas de pessoas mortas nos confrontos com as forças militares às ordens da junta militar.

O correspondente da euronews no Cairo atesta:

“- Não houve alterações radicais, é verdade. Os revolucionários continuam a acampar na Praça Tahrir

Na sede do partido nacional continua como há um ano e os membros mantêm-se na direção do aparelho de estado”.