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Alargamento faz sentido numa UE em crise?

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Alargamento faz sentido numa UE em crise?

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Apesar da forte abstenção e de um “sim” tímido no referendo, a Croácia vai tornar-se o 28 membro da União Europeia (UE), a 1 de Julho de 2013.

O nacionalismo de parte dos quatro milhões de habitantes, que viveram uma guerra de independência da ex-Jugoslávia nos anos 90, pode explicar parte do resultado.Mas a crise que se vive na UE, em especial nalguns países da zona euro, também esfriou algum entusiasmo croata.

Tal não impede Bruxelas de negociar com mais oitos vizinhos. O dossiê da Islândia é o mais avançado nas negociações, seguido da Turquia, Montenegro e Macedónia. Os outros quatro com maior potencial estão nos Balcãs: Albânia, Bósnia/Herzegovina, Kosovo e Sérvia.

“É preciso trabalhar sobre os valores democráticos”

O perfil da pequena Islândia não oferece muitas dúvidas, mas estará a UE em condições de absorver os impactos sociais e económicos do alargamento a novos países? Nomeadamente, os seis da Parceria de Leste, alguns com sérios défices democráticos, como a Ucrânia ou a Bielorrúsia?

Questões abordadas com o comissário para o Alargamento e Vizinhança, Štefan Füle, numa entrevista da correspondente da euronews em Bruxelas, Natalia Richardson. Sobre as relações com a Parceria de Leste e os critérios em causa para uma eventual adesão, o comissário disse que “é preciso trabalhar sobre os valores e os princípios, fortalecer as instituições democráticas e a transparência política. E nós poderemos dar uma ajuda nesse sentido”.

No caso específico da Ucrânia, que condenou a pena de prisão a ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko – por decisões tomadas no exercício do seu mandato-, Štefan Füle disse que “algo está errado neste processo” e que transmitiu ao Presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, que não faz sentido “colocar alguém na prisão pelo exercício de responsabilidades políticas, com base em artigos da lei penal que têm raízes na legislação soviética dos anos 60”.

Ainda sobre outro país europeu desalinhado, mas com aspirações a juntar-se à UE – a Bielorrússia -, o comissário disse que estão a ser usadas duas abordagens: “por um lado, sanções específicas contra pessoas e entidades responsáveis pela repressão das forças democráticas ou contra entidades das quais beneficia a administração presidencial. Ao mesmo tempo, para equilibrar essa abordagem, reforçamos os apoios à sociedade civil. Espero sinceramente que, nas próximas eleições legislativas, a oposição e a sociedade civil possam receber esse reforço da nossa parte. Que possamos partilhar tudo o que há a fazer pela Bielorrússia logo que se abra a porta para uma cooperação mais intensa e profunda com os países europeus, com a União Europeia “.