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Taxa Tobin: o imposto do Robim dos Bosques

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Taxa Tobin: o imposto do Robim dos Bosques

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O director de um banco, personificado pelo ator britânico Ben Kingsley, vai para o carro rodeado por um grupo de ladrões que parecem dispostos a roubá-lo. O banqueiro dá-lhes tudo o que leva.
 
 
Na realidade, só querem uma moedinha. Nada mais.
  
E agradecem, depois: 
 
“- Não se preocupe, dizem,  vamos saber gastar.”
 
Esta é a principal ideia da campanha do “Imposto Robim dos Bosques” sobre as transações financeiras, a famosa “Taxa Tobin” assim chamada pelo economista que propôs a ideia na década de 70.
 
O plano é cobrar  0,05% por cada transação financeira. Os defensores do projecto asseguram que é a forma mais eficaz de arrecadar milhares de milhões de euros para ajudar os mais necessitados.
  
Mas nem todos acreditam na eficácia deste imposto, incluindo alguns membros da UE, como o Reino Unido.
 
O primeiro ministro, David Cameron vai bloquear o projeto até obter um acordo global sobre a aplicação.
  
Para Patrick Nolan, economista do grupo londrino “Reform”, e considera o imposto um conto de fadas.
  
“- O imposto Tobin não vai funcionar por ser relativo a uma actividade que se move por diferentes países com muita facilidade. E esta é uma das lições que aprenderam países como a  Suécia, na década de 80. Criaram um imposto sobre as obrigações de 0,03% e, uma semana depois, 85% da actividade comercial deslocou-se para outros países. A base impositiva que tentam taxar é de uma extremada mobilidade internacional, extremamente móvel pelo que vai ser um imposto muito difícil de aplicar”.
  
Mas os parceiros como a França, a Alemanha, a 
Itália e a Espanha consideram que é um imposto fundamental para ajudar os governos na luta contra o défice, o desemprego e os cortes nos serviços.
 
Os detractores da taxa Tobin destacam que as pequenas e médias empresas serão as mais prejudicadas. 
 
 
 
Para Simon Chouffot,  o argumento não passa de uma tática de propagação do medo:  
 
 
“- É um argumento muito criativo inventado pelos nossos adversários, mas completamente falso. Isto não tem nada a ver com as vendas a retalho, em que se tira o dinheiro ao distribuidor para ir de férias. É completamente diferente: este imposto tem como alvo os especuladores, o sistema de banco de investimentos, o mesmo modelo que causou a crise financeira, o mesmo modelo que continua a pagar prémios, o mesmo modelo a que temos de impor taxas se queremos evitar as futuras crises e principalmente, se queremos ajudar os que mais precisam, os mais afetados pela crise financeira”.
 
 Patrick Nolan:
 
“- Acho que este assunto regressa à ribalta por causa da crise financeira mundial e da preocupação em castigar de algum modo os serviços financeiros, especialmente os bancos.
Mas essa é uma forma completamente errada de analisar o problema. Temos de entender que todos somos utentes dos serviços financeiros, e se tivéssemos serviços financeiros melhores e mais fortes, seria melhor. A resposta é ter uma regulamentação melhor, e não mais impostos”
 
  
Regular as transações em vez de as taxar…episódio a seguir na próxima cimeira europeia, em que os  membros estão longe de ter uma posição comum para tirar a Europa da crise.