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A "Lebre" do Senegal esquiva-se à democracia

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A "Lebre" do Senegal esquiva-se à democracia

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Abdoulaye Wade teima em candidatar-se a um terceiro mandato, apesar da constituição senegalesa só autorizar dois. Eleito em 2007, Wade justifica a candidatura com o argumento de que o primeiro mandato não contou porque a constituição foi alterada em 2001 e 2008. Os cinco juizes do conselho constitucional, todos eleitos pelo presidente, aceitaram a candidatura de Wade, conhecido por “Lebre”..

O Senegal é uma exceção entre os vizinhos da África Ocidental. É o único país que não passou por um golpe de estado depois da independência. Em 2000, quando houve eleições presidenciais, reforçou o exemplo com a promessa de alternância política. A derrota de Abdou Diouf, que sucedeu a Leopold Sedar Senghor, terminou com 40 anos de regime socialista. O liberal e eterno opositor, Abdoulaye Wade, ganhou a presidência.

Durante o segundo mandato começaram a surgir sinais de deriva autoritária. Em 2009, o presidente senegalês nomeou um novo governo em que incluiu o filho Karim depois de ele ser derrotado nas eleições municipais. A população reagiu contra o que considerou uma indicação de preparação de sucessor. Mas o maior levantamento popular deu-se quando o presidente tentou fazer aprovar uma lei que lhe permitiria um terceiro mandato apenas com 25% dos votos…

Apesar da pobreza, o desemprego e a falta de infraestruturas, o presidente Wade construiu uma estátua gigante, em bronze, para glorificar a renascença africana e para celebrar os 50 anos de independência do Senegal.

A obra custou 15 milhões de euros.

Ndèye Fatou Touré, da oposição, critica:

“- Financeiramente e neste contexto económico, é um monstro… crise financeira precedida de uma crise alimentar e de uma crise energética. É um escândalo”.

Já se fala em golpe constitucional, depois da comissão ter recusado a candidatura do conhecido e popular músico Youssou Ndour, alegando um problema de assinaturas.

- O artiste reage com firmeza:

“- A História está a ser feita, no Senegal. Não vamos aceitar mais nada a não ser a nossa constituição. Wade não tem o direito a recandidatar-se. É a minha última palavra quanto ao assunto.É tudo, estamos prontos.”

A oposição continua a resistir, ativa e pacificamente e promete tornar o país ingovernavel até “dobrar” o presidente, antes das eleições de 26 de fevereiro.

" Estou preocupado com a situação no Senegal, a polícia disparou sobre os manifestantes" denunciou à Euronews.