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CE estuda estratégia para colocar europeus a trabalhar mais anos

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CE estuda estratégia para colocar europeus a trabalhar mais anos

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Jens Ole, de 58 anos, é carpinteiro há 30 e ensina a sua arte a quatro jovens na empresa dinamarquesa Enemaerke & Peterson. Se a saúde lhe permitir, vai trabalhar depois da idade legal da reforma, aos 63 anos, até porque sabe que as pensões estão a encolher.

“Poupei dinheiro ao longo da vida em vários planos de reforma e estou preparado para o facto de que o meu rendimento baixará um pouco depois da reforma, mas não estou angustiado com isso”, explicou o trabalhador à euronews.

Apesar da dureza do trabalho na construção civil, cerca de 20% por cento dos funcionários desta empresa aderiram ao projecto senior. Admitem trabalhar mais anos, porque a partir dos 55 têm horários flexíveis, exames médicos regulares e podem ensinar os mais jovens.

“Dentro de cinco anos haverá na Europa mais pensionistas do que jovens trabalhadores. O Ano Europeu para o Envelhecimento Activo (AEEA) quer encontrar já soluções para que os chamados “trabalhadores de prata”, numa alusão à cor grisalha do cabelo, possam continuar riqueza mas tenham tambem uma velhice descansada”, explica Isabel Marques da Silva, correspondente da euronewes enviada a Copenhaga (Dinamarca) para a conferência de abertura da AEEA, a 18 e 19 de janeiro, onde peritos e políticos discutiram o tema.

As pessoas entre 50 e 64 anos de idade são quase um quarto da força de trabalho na Europa mas, quando perdem o emprego, cerca de metade opta pela reforma antecipada.

A Comissão Europeia pretende usar mil milhões de euros do Fundo Social Europeu para criar uma nova abordagem: “Precisamos de mudar as atitudes mas isso só acontecerá com novas políticas de apoio como aprendizagem ao longo da vida, oportunidades de formação, empreendedorismo, auto-emprego, etc”, afirma Lázsló Andor, Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão.

Alguns empresários e agências de recrutamento acreditam na mudança de mentalidades, como é o caso de Annemarie Muntz, directora da agência de emprego Randstad, líder na Europa: “Os trabalhadores mais velhos são mais equilibrados, ficam menos vezes doentes e são, aliás, mais produtivos por causa da sua experiência de vida”.

“Nas pessoas com carreiras de 30, 40 anos o preço da mão-de-obra torna-se algo muito importante. As empresas devem encarar de uma nova forma as possibilidades de recrutamento”, refere Jacques Spelkens, chefe do departamento de recursos humanos da empresa de energia GDF Suez.

O AEEA vai também debater políticas para que os idosos tenham uma vida mais independente e uma participação activa na sociedade.

Formação ao longo da vida deve “começar cedo”

A correspondente da euronews, Isabel Marques da Silva, entrevistou Claudia Menne, secretária confederal da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), sobre as propostas dos sindicatos para que esta reforma seja mais justa e equilibrada.

“O que sabemos com base nas estatísticas é que apenas 50 por cento da população poderá atingir a idade de reforma obrigatória que agora vigora. Isso significa que, quando se prolonga a idade de reforma obrigatória, menos pessoas terão possibilidades de chegar a essa nova meta. Isso significa também que vão perder muito dinheiro quando escolhem ir para a reforma antecipada”, referiu Claudia Menne.

Sobre o investimento público na formação ao longo da vida e o auto-emprego, a secretária confederal considera que é algo crucial, mas que deve começar cedo, quando o trabalhador ainda é jovem. “A pessoa deve preparar-se ao longo de toda a sua vida de trabalho. É uma abordagem errada dizer que devemos agora concentrar-se nas pessoas que já estão há mais de 20 ou 30 anos anos no mercado de trabalho e que já não têm essa capacidade”, explicou.

Face ao aumento da pobreza e da exclusão social, sobretudo na Europa do sul e de leste – e incluindo as pessoas que ainda têm um emprego – a responsável da CES diz que “a prioridade para os próximos dois anos é desenvolver um sistema de prevenção em todos os países europeus”.

“Atualmente, apenas metade da União Europeia tem em vigor esse sistema de rendimento mínimo. Estamos a lutar juntamente com a Plataforma Europeia contra a Pobreza para que todos os países europeus tenham o chamado rendimento mínimo e vamos desenvolver um projeto a partir das nossas ideias para o podermos concretizar”, acrescentou.