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Primárias republicanas nos EUA: O que impele Romney

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Primárias republicanas nos EUA: O que impele Romney

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Stefan Grobe, euronews – Para analisar os resultados das primárias na Florida falamos com Jeffry Frieden, economista e professor na Universidade de Harvard ,que está em Boston.

Romney gastou, na Florida, quatro vezes mais do que Gingrich, bombardeou literalmente os rivais. Na segunda-feira, por exemplo, as televisões locais transmitiram cinco anúncios da campanha de Romney em 15 minutos.

Acha que vai ser assim no resto da campanha?

Jeffry Frieden – Vai continuar assim se Romney tiver de gastar dinheiro para vencer Gingrich. Mas se considerar ter vantagem suficiente, suponho que vai guardar dinheiro para as eleições presidenciais.

O problema, na Florida, foi ter perdido as primárias da Carolina do Sul e precisar absolutamente de ganhar, o que aconteceu.

Concentrou os maiores recursos neste Estado para se assegurar que conseguia um resultado tão bom como queria e obteve-o.

Mas não penso que vá ter de gastar tanto dinheiro durante o próximo mês para vencer Gingrich. Claro que se se sentir acossado vai reagir com o que tem de melhor, a arma financeira.

euronews – De início, Romney não suscitava muito entusiasmo e falou-se disso. Os eleitores estarão mais entusiastas em realação a ele, como mostram os números?

J.F. – Tem mais apoios porque as pessoas se convenceram que ele pode vencer Obama. Mas não suscita o extraordinário entusiasmo que se vê nos apoiantes de Ron Paul e mesmo Newt Gingrich.

É considerado um homem competente e fiável, uma pessoa com experiência administrativa do mundo dos negócios, mas o mais importante é que a maioria dos eleitores do Partido Republicano aposta nele como o candidato certo para vencer Barack Obama, e é o que importa.

As sondagens indicam que os eleitores que votaram em Romney, na Florida, acham que ele é o candidato mais elegível.

euronews – Em relação a Gingrich, presidente da Câmara dos Deputados durante 14 anos, esta é, possivelmente, a última oportunidade para obter o maior prémio de uma carreira política com duas décadas. Ele mostra-se preparardo para a longa caminhada até à convenção. Será possível que ainda haja uma reviravolta?

J.F. – Há uma possibilidade, mas diria que é muito, muito pequena. Se Gingrich conseguir uns resultados extraordinários nalgumas das primárias do sul, como as que se avizinham na Super Terça Feira, 6 de março, então pode haver uma reviravolta.

Tem dois contras, por agora: a derrota na Florida e alguns maus resultados que se adivinham nas primárias e caucus agendados.

E, em segundo: as bases republicanas não estão convencidas de que seja um bom candidato.

Os eleitores estão convencidos de que iria perder na corrida com Obama e por isso apoiam Romney. Na minha opinião, as possibilidades de ganhar são escassas. E apesar de só ao próprio caber a decisão de ir ou não até ao congresso republicano, as probabilidades de ser eleito candidato republicano são pequenas.

euronews – Assistir às primárias republicanas na Europa é muito instrutivo. Cada vez que Romney e Gingrich falam sobre Europa, fazem-no no âmbito da retórica anti-Obama, do género: “Obama quer uma sociedade ao estilo europeu, um estado do bem estar à europeia, socialismo europeu”… Quem acredita nestas coisas nos Estados Unidos?

J. Frieden – Infelizmente, os conservadores norte-americanos pensam que a Europa se converteu num sinónimo de estado de bem estar social, direitos sociais, socialdemocracia abrangente.

De modo que para aqueles que acham que o Governo já é demasiado intrusivo nos Estados Unidos, em assuntos económicos e sociais, a Europa é, na verdade, o expoente máximo da intrusão que um Estado pode fazer.

O eleitorado republicano, que é bastante conservador, vê a Europa como resultado de tudo o que quer evitar, que é o Estado de bem estar social, que ganha cada vez mais importância.