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Não salvar a Grécia seria "devastador" para UE, diz analista do CEP

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Não salvar a Grécia seria "devastador" para UE, diz analista do CEP

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O impasse político mantém-se em Atenas quanto às novas medidas de austeridade exigidas pela troika CE/BCE/FMI. O primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, ainda não chegou a acordo com os membros da coligação governativa (socialistas, conservadores e extrema-direita), mas a paciência de Bruxelas começa a esgotar-se.

“A verdade é que os prazos já foram ultrapassados. Esperávamos que as decisões necessárias tivessem sido tomadas este fim-de-semana, mas isso não aconteceu”, disse, em conferência de imprensa, Amadeu Altafaj Tardio, porta-voz do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn.

Para dar um novo empréstimo de 130 mil milhões de euros; a troika exige cortes nos salários e pensões, despedimentos na função pública e o acordo com os credores privados para perdão de parte da dívida, algo ainda por alcançar.

Como vêm fazendo desde o verão passado, os sindicatos pressionam no sentido oposto e convocaram uma greve geral para esta terça-feira.

A Grécia pode entrar em bancarrota em meados de Março, quando vencem 14 mil milhões de euros de obrigações de dívida pública.

“As consequências seriam devastadoras não apenas para a Grécia”

Em entrevista ao correspondente da euronews em Bruxelas, Rudolph Herbert, o analista do Centro de Política Europeia (CEP), Janis Emmanouilidis, considera fundamental travar a bancarrota que assombra o país e acredita que “haverá um acordo sobre o perdão parcial da dívida por parte do setor privado. Esse acordo será a base para um posterior acordo com os parceiros da UE e do Fundo Monetário Internacional”.

Rudolph Herbert/euronews (RH/euronews): “Qual seria o impacto do incumprimento para a Grécia?”

(JA/CPE): “Penso que seria algo dramático: o povo grego ficaria ainda sob maior pressão, aumentaria a pobreza, o desemprego, sobretudo o desemprego entre os jovens. Haveria mais gente a deixar o país porque ficariam sem quaisquer perspectivas e pensariam: se não tenho futuro aqui, vou tentar noutro sítio qualquer”.

(RH/euronews): “E qual o impacto desse incumprimento na zona euro?”

(JA/CPE): “Seria de imediato colocada a pergunta: o que significa isto para os outros estados-membros? O que implicará para Portugal, para a Irlanda? Que pressão coloca sobre outras economias maiores como as da Itália e da Espanha? Nas circunstâncias em que nos encontramos, as consequências seriam devastadoras não apenas para a Grécia, mas para toda a zona euro”.

(RH/euronews): “O que é que o governo da Grécia fez de errado?”

(JA/CPE): “Prenso que, acima de tudo, há um problema ao nível da implementação. Muitas coisas que foram decididas com os credores e colocadas no papel acabaram por não serem implementadas tão amplamente quanto deviam. Na Grécia existe uma situação de incerteza política: os partidos perdem tempo com manobras táticas para chegarem ao poder. Mas há um problema ainda mais decisivo: o facto da situação piorar de mês para mês, de semana para semana, acaba por minar cada nova tentativa de sair da crise.”

(RH/euronews): “Mas do ponto de vista legal, é possível a Grécia abandonar a zona euro?”

(JA/CPE): “Os tratados europeus não prevêem a saída de um país da zona do euro. Existe a possibilidade legal de sair da UE, voluntariamente, o que é algo em si muito complicado. Se um país – a Grécia ou outro qualquer -, quisesse sair da zona euro, teria de sair primeiro da própria UE. Depois, voltaria a integrar a UE, sem fazer parte da zona euro. Mas a par da questão legal, haveria todas as questões políticas e práticas que teriam de ser resolvidas: como gerir a transição? E haveria ainda consequências ao nível global da zona euro, do sistema de moeda única”.