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Islamitas e militares adiam revolução do povo egípcio

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Islamitas e militares adiam revolução do povo egípcio

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Um ano depois, a revolução egípcia está assombrada pela boina militar e pelo turbante religioso.

A 11 de fevereiro de 2011, na praça Tahrir, festejava-se a queda de Hosni Mubarak.

Era a principal reivindicação dos manifestantes, que viam na derrocada do ditador a mudança de regime.

Foi uma vitória da rua contra o presidente, que se agarrou ao poder até o último momento, abandonado pelo exército.

Desde então, o Conselho Supremo do Exército dirige de facto o país, e o novo homem forte é o marechal Mohamed Hussein Tantawi.

É ele que se encarrega de designar os ministros e dirige a alegada transição para o poder civil e democrático.

Pela primeira vez, desde há décadas, os egípcios votaram para um Parlamento que acabou por ficar dominado pelos islamitas, que ganharam dois terços dos lugares.

Um resultado previsível para o jornalista John R Bradley que, em 2008, previu a revolução egípcia:

“- As eleições não foram livres nem justas.

Não foram justas porque os islamitas já tinham três décadas de experiência na formação de redes políticas e sociais, e os liberais acabavam de criar os partidos. O outro problema é que não são livres na medida em que têm sido comprados, e os salafistas radicais, reconheceram que têm recebido fundos substanciais dos Estados do Golfo”

A euronews insistiu:

“- Quer isto dizer que as eleições não foram uma vitória para os que a fizeram?

Bradley:

“- Não porque não houve revolução egípcia, tecnicamente falando.

O que aconteceu foi um golpe militar, e os militares têm têm governado o Egito desde 1952, sacrificaram o presidente e os islamitas preencheram esse vazio político.

Nestas eleições, o partido criado pelos revolucionários só conseguiu 2% dos votos, o que indica indica que não se pode falar de movimento revolucionário nem de vitória eleitoral.

euronews – Que espera o Egito do futuro?

O autor e jornalista conclui:

“- O futuro de Egito, pertence basicamente aos islamitas”