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Atenas: o renascer das cinzas

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Aos poucos, a tranquilidade regressa ao centro de Atenas, mas com as marcas de uma noite violenta.

Hoje é dia de limpeza e de contabilização dos estragos.

Edifícios históricos, bancos, lojas e cafés foram incendiados, este domingo, em sinal de protesto contra um novo pacote de austeridade.

Nas ruas, o ar é esta segunda-feira irrespirável.

O Parlamento foi poupado à fúria dos manifestantes, mas não às críticas:

“Não devíamos ter deixado nada em pé, nem uma única pedra, nem mesmo o Parlamento porque são todos uns traidores” afirma Petros Dogas, antigo oficial da Marinha.

O arquiteto Nikos Markou considera que “a culpa é dos deputados” porque, adianta, “foi com eles que tudo começou e, assim, se mantém desde há vários anos. Mas acredito que melhores dias virão.”

As medidas de austeridades foram aprovadas ontem à noite no Parlamento grego, depois do ministro das Finanças ter alertado para as consequências de um eventual incumprimento do país.

Para evitar a bancarrota já em março, a Grécia precisa de 130 mil milhões de euros. Em troca, o governo compromete-se a reduzir o salário mínimo, o valor das pensões de reforma e o número de funcionários públicos até ao final do ano.

Medidas contestadas por milhares de gregos. A manifestação deste domingo, em Atenas, começou de forma pacífica mas depressa deu lugar à violência.

Cerca de sete dezenas de pessoas ficaram feridas, mais de 100 foram detidas.

A violência estendeu-se a outras cidades do país.

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