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Cimeira UE/China

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Cimeira UE/China

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Para combater as alterações climáticas, a União Europeia alargou as regras comunitárias a todas as companhias aéreas que aterram e descolam do território europeu. A China recusou aplicá-las garantindo que isso irá custar às companhias mais de 90 milhões de euros só no primeiro ano.

Esta questão não está oficialmente na agenda da cimeira UE/China, desta terça-feira, em Pequim, mas a ministra dos negócios estrangeiros já anunciou que vai ser debatida. Este pormenor pode ensombrar a vontade chinesa de comprar dívida soberana europeia. Hua Chunying afirma que “ainda estamos numa fase em que há entendimento e confiança.Já demos conta de algumas vozes diferentes do lado europeu, em relação a uma possível ajuda da China para salvar o Euro. Existem pedidos de mais apoio à Europa, mas ao mesmo tempo questionam se a China vai comprar a Europa. Por isso estas a ter cuidado”

A cooperação económica é vital para os dois blocos, com muitas trocas comerciais e investimentos entre eles. Mas até que sejam cumpridos todos os critérios, a União Europeia não deve ceder à pressão da China para lhe dar o estatuto de Economia de Mercado antes de 2016.

O responsável europeu pela Ásia e Pacífico, Viorel Isticioaia Budura, espera que a Chima aja de forma compatível com o próprio interesse, sobretudo porque a Europa ainda representa um importante destino das exportações chinesas e porque a China quer expandir ainda mais as relações económicas.”

Esta cimeira deve também lançar vários projetos de cooperação, sobretudo em matérias de urbanização sustentável e diálogo intercultural. Mas o embargo às armas e os direitos humanos continuam a ser temas tabu.

Para analisar ao pormenor esta cimeira UE/China, a Euronews entrevistou o professor Martin Jacques, autor do livro: “Quando a China dominar o mundo”.

Isabel Marques da Silva, euronews: “Pode explicar um pouco melhor o que pretende dizer com o título deste livro?”

Martin Jacques, autor “When China Rules the World”:

“A mentalidade europeia, ocidental defende que nós somos os únicos a controlar o mundo- o que é ridículo. Na minha opinião, o crescimento da China- e da Índia, porque não é só a China- é um enorme desenvolvimento para a Humanidade. Porque durante 200 anos- desde a Revolução Industrial britânica- apenas uma pequena percentagem de 15 a 20% da população controlou o mundo, todas as suas instituições, dominou-o. Esta é uma situação muito pouco democrática. Agora chega a China, que sozinha representa 20% e que com a Índia chegam perto dos 40% de toda a população mundial. Isto é democracia!”

euronews:

“Estará a União Europeia disposta a conceder o estatuto de Economia de Mercado à China antes de 2016?”

Martin Jacques:

“Acredito que a China têm todas as justificações para reclamar o estatudo de Economia de Mercado, que, que de qualquer forma, deve ser dado em 2016, mas pode ser antecipado. Os chineses querem uma reação ao investimento que estão a fazer no exterior, que ainda só está a começar. Ainda está num nível muito baixo, mas vai ser enorme.”

euronews:

“E esse investimento chinês pode ser feito ajudando a Europa, ao comprar dívida soberana e investindo no fundo de resgate?”

Martin Jacques:

“Em primeiro ligar os chineses vão querer garantias de que vão recuperar o dinheiro, porque não estão interessados em deitar dinheiro fora, sobretudo, eles pobres a dar dinheiro aos ricos europeus.”

euronews:

“A União Europeia tem feito muitas pressões em questões de direitos humanos e sobre o embargo de armas. Será que vamos ter alguns desenvolvimentos nestas áreas?”

Martin Jacques:

“Os chineses podem reagir e dizer: a China, nas últimas duas, três décadas, tem sido responsável por uma grande redução da pobreza global, o que tem sido o maior contributo para a defesa dos direitos humanos neste período. Considero este um argumento válido em matéria de direitos humanos. O que não significa que os europeus não possa dizer nada sobre esta matéria, de qualquer forma é necessário ter alguma humildade e ter em atenção os progressos.”

euronews:

“Os contatos entre chineses e europeus têm sido valorizados e vistos como uma forma de desenvolver esta relação. Pode explicar-nos um pouco melhor como estão a ser feitos estes contatos?”

Martin Jacques:

“Quando europeus vão para a China ficam chocados com a velocidade do desenvolvimento e a colossal dimensão do país. Depois de verem, de experimentarem esta realidade, a atitude começa a mudar. De qualquer forma, ver e experimentar não significa entender. Compreender a China tal como ela é, tão diferente da Europa e que nunca vai ser sequer parecida.”