Última hora

Última hora

O dilema da Grécia

Em leitura:

O dilema da Grécia

Tamanho do texto Aa Aa

O fogo nas ruas de Atenas, no fim de semana passado, pode estar a anunciar bem pior.

O país não sabe se vai sobreviver, como, com que escolhas.

A população está revoltada e sente-se usada, como se viu nos incidentes, na violências dos confrontos com a polícia e nas manifestações em geral.

Os gregos já não querem sequer ouvir falar de mais medidas de austeridade, há dois anos que sabem o que isso é e como lhes agravou o dia a dia.

Aqueles a quem falta a capacidade de resistência remetem-se a Deus, rezam para salvar o país, mas as perspetivas são sombrias, como afirmam os cidadaos comuns:

“- A Grécia está acabada. Não há esperança. Estamos completamente destruídos e a caminhar para a bancarrota, a sofrer patrioticamente durante dez anos e depois temos de ser nós a encontrar uma saida” – diz um transeunte questionado.

Uma outra cidadã está chocada:

“- Nem sei o que dizer. As pessoas estão estupefactas, assustadas. Na realidade não sei. Precisamos de uma explosão gigantesca, uma explosão de raiva”.

As autoridades escolheram o plano de resgate, um a mais da zona euro para evitar a bancarrota e a saída da moeda única. Mas quanto tempo vai aguentar o governo se as explosões de raiva se amplificam? Como justificar os sacrifícios perante a população que é obrigada a fazê-los?

É neste ambiente de tensão que o ministro das Finanças negocia há meses com os credores do país e tentou, mais uma vez, explicar a escolha em causa:

Evangelos Venizelos:

“- Toda a gente precisa de perceber que o dilema é salvar o país com grandes sacrifícios ou com uma crise dramática, com dissolução económica, social e política. Será o mesmo que marchar orgulhosamente para a catástrofe”.

A intervenção pode ter servido para salvar o voto mas não convenceu ninguém na rua. A classe política é dada como culpada da situação do país. Entre a austeridade que sufoca e a falência que os pode quebrar, os gregos não vêm a luz ao fundo do túnel.

O Professor P.E. Petrakis, da Universidade de Atenas conclui que o futuro está em jogo:

“- É uma situação deprimente para a Grécia. Ninguém pode planear a vida, pensar sobre o futuro. E se os gregos não podem pensar no futuro e se não vão ter futuro, é algo de muito importante.”

Para além do risco de explosão social, a Grécia será salva por este novo plano? Os especialistas duvidam; vão ser precisos muitos anos para que a economia se reequilibre.