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Economia francesa ameaçada em tempo de presidenciais

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Economia francesa ameaçada em tempo de presidenciais

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A economia francesa teve um modesto crescimento em 2011 mas em 2012 está frágil, todos admitem. Teve um comportamento melhor do que o de alguns vizinhos, incluindo a Alemanha. Mas esta quinta potência mundial está ameaçada de degradação das agências de notação financeira.

A economia francesa surpreendeu pela positiva, com uma expansão do PIB de 0,2% no quarto trimestre de 2011 enquanto os economistas esperavam uma contracção de 0,2%.

Mas o consumo dos franceses continua a descer. O défice comercial atingiu o recorde de 70 mil milhões de euros e o desemprego continua alto, com uma taxa de 9.3%. Foram perdidos cerca de 32 mil postos de trabalho no quarto trimestre, ou seja, 1000 por dia, tanto no comércio como na indústria.

Com as perspetivas de crescimento praticamente nulas para 2012, os analistas estão pessimistas e receiam a destruição de mais postos de trabalham este ano.

Um problema estrutural, diz Eric Heyer:

“- Podemos viver ainda com uma economia de prestação de serviços mas é preciso um mínimo de indústria e estamos muito longe desse mínimo em França. É preciso acabar com esta hemorragia da perda de peso da indústria na economia francesa. “

Em janeiro a França ficou em estado de choque com o anúncio da degradação pela Standart and Poors, depois do presidente ter assumido como prioridade a preservação do triplo A. Agora é a Moody’s que ameaça fazer cair um A francês ao mesmo tempo que sublinha que “a deterioração da dívida pública francesa continua”.

O défice público atinge 5,5% do PIB e o FMI considera que ainda se vai manter nos 4,8% este ano, muito longe dos 3% prometidos.
Quanto à dívida pública, eleva-se a 87% do PIB e pode chegar a mais de 90% em 2012.

François Chaulet, analista de mercados:

“A- tualmente a vigilância faz-se de um modo específico num calendário de dois a três meses que precedem uma alteração de notação e vê-se nesse calendário um prazo muito importante para a França, que é o das eleições presidenciais, uma data que pode dar azo a múltiplas interpretações em função dos diferentes programas económicos propostos aos franceses”.

Independentemente de quem for eleito para a presidência, os eleitores franceses estão seguros de não poder escapar à conjuntura desfavorável que se avizinha.