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Merkel apostou mal e tem uma crise interna para resolver

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Merkel apostou mal e tem uma crise interna para resolver

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É verdade que a função de presidente da Alemanha é , mas representa uma autoridade moral e foi Angela Merkel que deu o aval em 2010 para que, com grande esforço, fosse eleito presidente. apenas honorífica.

A vitória do candidato da chanceler, em junho de 2010, foi quase humilhante. Foram precisas três votações no parlamento, 9 horas de escrutínio, um recorde para este tipo de eleição. Finalmente conseguiu tornar-se na camuflagem oficial de Merkel, que era alvo de críticas no próprio partido.

O jovem e novo presidente não tinha história, era mesmo considerado demasiado inexperiente.
Católico praticante, divorciado e casado em segundas núpcias, acaba por ser propulsado para a ribalta por um escândalo mediático relacionado com as férias em casa de empresários e a taxa prefencial que teve para comprar uma casa.

As revelações encadearam-se e os Media alemães foram particularmente críticos à tentativas de pressão para abafar o escândalo. Ao ponto do chefe de uma redação ter recebido mensagens ameaçadoras.

Mesmo no meio da tormenta, a chanceler apoiou sempre o presidente. O escândalo eclodiu em dezembro e no início do ano ela apareceu toda sorridente a seu lado, enquanto ele recusava demitir-se. Agora é Merkel que é alvo de todas as críticas em plena crise da zona euro.

Merkel tem de gerir o naufrágio do parceiro de coligação – os liberais do FPD, cairam para 2% das intenções de voto. E com esta nova destabilização vai ter de encontrar um parceiro consensual e aceitavel, mesmo se a sua capacidade de julgamento ficou afetada.

Stefan Grobe – Connosco está Frank Buchwald, correspondente da ZDF em Berlim.

Frank, afinal a demissão de Wulff surge muito rapidamente, até mesmo inesperadamente.
Como vê este caso? Quem vai arcar com o custo político?

Frank Buchwald – Em primeiro lugar o próprio Christian Wulff e claro que também a coligação.
Foi a coligação CDU/CSU-FDP que elegeu Christian Wulff como presidente.

Assim sendo, é evidente que as consequências políticas atingem a coligação governamental, aqui na Alemanha.

S G – Ultimamente a Chanceler alemã, quase só é vista na cena política europeia, como se a Grécia se tivesse tornado política interna. Até que ponto Angela Merkel está politicamente enfraquecida na crise do Euro?

F B – Bem, ela tem muito que fazer aqui em Berlim. Tem que eleger um novo presidente em muito pouco tempo. A Constituição diz menos de 30 dias.

E obviamente tem problemas maiores com a Europa, em particular com a Grécia, que são muito difíceis de gerir mesmo no seio da coligação.

Ou seja, Angela Merkel tem mais um problema numa situação já de si complicada.

Na Alemanha, o Presidente tem um papel Constitucional, que não lhe dá formalmente poder real.
É um cargo de discursos normalmente sobre confiança.

Ora, como as questões do Euro e da ajuda à Grécia são muito discutidas aqui na Alemanha, pode se dar o caso de termos um Presidente com uma posição crítica em relação à Chanceler, que trará mais problemas para Angela Merkel.

S G – Depois de Horst Köhl, Wulff é o segundo Chefe de Estado alemão a demitir-se. O que nos diz isto da cultura política alemã?

F B – Aqui em Berlim as coisas são cada vez mais difíceis para o Presidente.
Na Constituição alemã, o presidente é como um rei substituto. Está acima dos partidos.
É o que a Constituição diz, mas em comparação com outros tempos, agora é visado pelos media muito mais de perto.

S G – Agora pode ser mais difícil para Merkel indicar um candidato conservador para suceder a Wulff. Será isso um sinal de mudança política para 2013?

F B – Isso é algo como um rumor que sempre se ouviu na Alemanha:
Uma eleição presidencial é sempre uma espécie de decisão preliminar sobre quem vai governar o país. Qual a coligação que vai ser feita. Mas é apenas um rumor antigo.
Mas claro que o equilíbrio do poder na Assembleia Federal que elege o presidente, diz muito sobre quem quem vai ter o poder na mão.

É uma assembleia complexa de representantes do Parlamento Federal e dos Parlamentos Estaduais.
Existe um equilíbrio de poder muito bem definido.
Claro que não sem um sentido.