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A Primavera Árabe em Berlim

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A Primavera Árabe em Berlim

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A mostra de Cinema de Berlim dedicou, este ano, uma secção especial aos realizadores que documentaram as revoluções que se estenderam do norte de África até ao Médio Oriente.

No programa, “Reporting… a Revolution”, filmado por seis jovens egipcíos, entre os quais a jornalista Nora Younis, que descreve a experiência assim: “os repórteres não esperam para ver os limites, para receber diretivas editoriais, eles vão e fazem o que têm a fazer. Chegou o momento de agir e este filme carrega essa mensagem: é isto que está a acontecer, é necessária solidariedade”.

Segundo Younis, “o mundo tem de ver a revolução egípcia como ela é. As rodagens foram muito cruas, muito duras. Não se trata de um passeio turístico pela revolução, é o contrário que se pretende realçar.”

Entretanto, o Egito vive um impasse, dirigido por um governo de militares, continuamente contestado por imobilizar o país. Daí que Nora Younis considere que o combate esteja longe de terminar. A jornalista afirma não estar preocupada com o que pensam nos países ocidentais, mas sim com o povo. “As revoluções têm demonstrado que o povo tem uma palavra a dizer. É o momento de agir, de falar. A cúpula política do Egito não conseguiu planear os passos seguintes, nem controlar o que passa nas ruas. E é nas ruas que o povo egípcio tem tomado as decisões sobre o rumo do país. Foi uma lição para todos. Aprendemos a não contar com o Parlamento Europeu, nem com a política externa americana, nem com o apoio externo. Não é através deles que se resolvem os problemas. Os problemas resolvem-se lidando com eles diretamente.”

Durante o Festival de Berlim, organizaram-se conferências sobre o tema. Younis foi uma das participantes. Outra foi a realizadora e produtora egípcia Hala Galal, que perdeu uma irmã e vários amigos durante a revolução. Foi, em grande parte, graças aos vídeos que postou na net e à sua atividade nas redes sociais, que o mundo percebeu o que estava realmente a acontecer.

Para Galal, “é importante haver estes encontros, fora do país, durante e depois dos acontecimentos, das mudanças, para captar a solidariedade do resto do mundo. Para não morrer sozinho. Por isso é que as gerações mais novas colocavam tudo o que podiam no Youtube, para que se ouvisse e soubesse deles.”

As acusações de violência contra o regime de Bashar al-Assad, na Síria, existem há muito tempo. Mas agora, há uma outra consciência da sua gravidade, devido justamente à Internet, como sublinha uma realizadora e ativista síria, a viver em França. Hala al-Abdallah declara que “este regime começou a tratar a população assim há 40 anos. Nunca houve material sobre as atrocidades cometidas. Mas agora as pessoas aperceberam-se do quão importante é registar os acontecimentos. É certo que as pessoas que o fazem estão a arriscar a vida. Muitos jornalistas e realizadores foram presos, juntamente com os manifestantes.”

Desde que a Primavera Árabe despontou, três governos caíram: na Tunísia, no Egito e na Líbia.