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Myanmar espera "muita atenção da UE", disse comissário para o Desenvolvimento

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Myanmar espera "muita atenção da UE", disse comissário para o Desenvolvimento

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A principal líder da oposição em Myanmar, país asiático antes conhecido por Birmânia, reúne milhares de pessoas à sua passagem. Aung San Suu Kyi tem sentido, porém, algumas dificuldades para fazer campanha pela Liga Nacional para a Democracia, com vista às eleições legislativas parciais de 1 de Abril.

Em causa está a recente proibição do Governo de realizar comícios em recintos desportivos, entretanto revogada. Entraves a que a Prémio Nobel da Paz está habituada, depois de 15 anos em detenção durante as duas décadas em que tem vivido no país , regressada do exílio no Reino Unido, em 1988.

Estas eleições são consideradas cruciais pela comunidade internacional para avaliar o compromisso com a democracia prometido pelo novo governo civil. Este sucedeu, há um ano, à junta militar, mas é composto por muitos elementos próximos das forças armadas.

Com importantes recursos naturais e cerca de 50 milhoes de habitantes, um dos países mais isolados do mundo parece dar os primeiros passos para uma nova era.

“O processo democrático é ainda muito frágil”

O comissário europeu para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, visitou o país depois da União Europeia ter levantado, em Janeiro, algumas das sanções contra governo e prometeu 150 milhoes de euros até 2013. Uma viagem de que falou à correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva.

Isabel Marques da Silva/euronews (IMS/euronews): “Bem-vindo à Euronews Comissário Piebalgs. Começo por perguntar quais são as suas impressões após contactos no terreno com a sociedade civil. Existe uma crença genuína numa mudança permanente em direcção à democracia em Minmar?”

Andris Piebalgs, Comissário Europeu para o Desenvolvimento (AP/CE Desenvolvimento): “Do que vi na sociedade de Mianmar, realmente acreditam que as mudanças são irreversíveis. Mas há várias interrogação a que é preciso responder, pois o processo é ainda muito frágil. Haverá eleições a 1 de abril e a boa notícia é que o partido de Aung San Suu Kyi vai participar. Mas como decorerá o processo eleitoral, ninguém sabe.”

IMS/euronews: “Reuniu-se com a principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, e também o Presidente. O que é que eles pediram à UE e que é a UE está disposta a dar-lhes?”

AP/CE Desenvolvimento: “Penso que aquilo que os une é o pedido para que a União Europeia dê muita atenção aos país, porque estão ansiosos por aumentar as relações políticas e também económicas com a União Europeia. O Presidente garantiu-nos que as eleições serão livres, justas e credíveis, mas o seu ponto principal é que as relações políticas por si só não são suficiente para realmente mudar Mianmar ….”

IMS/euronews: “… Precisam de dinheiro….”

AP/CE Desenvolvimento: “Precisam de dinheiro, sobretudo investimento directo estrangeiro”.

IMS/euronews: “A ajuda ao desenvolvimento aumentou bastante. Na sua visita, prometeu dar 150 milhões de euros. Quais são os setores priroritários?”

AP/CE Desenvolvimento: “Temos investido principalmente na saúde, sobretudo em relação ao HIV/Sida, malária e tuberculose. O país é muito atormentado por estas doenças. Temos investido também no setor de educação, de modo a aumentar o acesso das crianças. Mais de um milhão de crianças têm agora acesso ao ensino.”

IMS/euronews: “Mencionou que o presidente disse que as eleições serão livres e justas. Caso isso aconteça, a União Europeia poderá levantar outras sanções ainda em vigor? “

AP/CE Desenvolvimento: “As eleições são um elemento fundamental, mas não o único, porque o processo exige desenvolvimentos permanentes. Por exemplo, ao nível dos presos políticos. Muitos foram libertados, há um sistema credível de modo a que todos os prisioneiros de consciência venham a ser libertados, mas é importante que o processo continue. Foram tomadas medidas para criar um estado de direito, mas …. “

IMS/euronews: “Sobre esse assunto comissário, a União Europeia apoiaria a criação de uma comissão das Nações Unidas para averiguar sobre violações dos direitos humanos que ocorreram em larga escala?”

AP/CE Desenvolvimento: “Penso que é importante ver o que osbirmaneses pensam do assunto, agora que têm uma sociedade pluralista, com Aung San Suu Kyi a desempenhar um papel proeminente … Acredito que o melhor é que o próprio país lide com o problema e todos os seus desafios. Se for uma sociedade realmente democrática, uma estado de direito, vai abordar esta questão. Não porque houve pressão externa, mas por causa do desenvolvimento interno”.