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Uma vitória à grande e à francesa para o filme "O artista"

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Uma vitória à grande e à francesa para o filme "O artista"

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Hollywood deixou-se seduzir pelo retrato da sua era dourada ao atribuir cinco óscares ao filme francês “O Artista”, entre os quais o de melhor filme.

Uma vitória à grande e à francesa. Melhor banda-sonora, melhor guarda-roupa, melhor ator e melhor realizador para Michel Hazanavicious, à frente deste feito inédito para uma película estrangeira.

“Eu tenho um óscar… e esqueci-me do meu discurso, sou o realizador mais feliz do mundo neste momento… obrigado por tudo… obrigado à academia… obrigado a todos”.

Depois de quase nove meses de uma intensa campanha de marketing, desde o destaque em Cannes, o ator francês Jean Dujardin – na pele de um herdeiro dos clássicos norte-americanos – suplantou George Clooney nomeado por “Os descendentes”.

“Obrigado, adoro o vosso país, se George Valentine, pudesse falar, diria: que vitória fantástica, formidável, obrigado, eu amo-vos a todos”.

O “Artista” culmina assim nos óscares um trajeto inédito para um filme mudo e francês que arrebatou os maiores prémios de todos os festivais de cinema internacionais. Monstros sagrados como Martin Scorcese ou Woody Allen viram-se relegados para o papel secundário, com cinco óscares técnicos para “A invenção de Hugo” e um óscar para o melhor guião para “Meia-noite em Paris”.

A atriz Merryl Streep conseguiu, no entanto, salvar a prata da casa, com sotaque britânico. Trinta anos depois de “Kramer contra Kramer”, Streep obteve um terceiro óscar de melhor atriz pela sua interpretação de Margaret Tatcher na “Dama de ferro”.

Christopher Plummer “sai do armário” aos 82 anos, ao receber o óscar para o melhor ator secundário pela sua interpretação em “Assim é o amor”.

“Só tens mais dois anos do que eu, por onde andaste durante este tempo todo?”, interrou-se Plummer frente à sua, tão esperada, estatueta dourada.

A gala nostálgica desta noite onde franceses retrataram os clássicos norte-americanos e um norte-americano, Allen, retratou os clássicos franceses, coroou igualmente o filme iraniano, “Uma separação” com o óscar para o melhor filme estrangeiro, atribuído ao realizador
Asghar Farhadi.