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Irão: "cada voto é um murro contra o inimigo norte-americano"

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Irão: "cada voto é um murro contra o inimigo norte-americano"

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O regime iraniano recorre a todos os argumentos para evitar um abstencionismo elevado nas eleições parlamentares de sexta-feira.

Face ao boicote da oposição reformista e ao descontentamento com a política económica de Ahmadinejad, a imprensa oficial não hesita em apelar ao voto “contra o inimigo americano” ou para “honrar a revolução”.

No mesmo tom, o ministro do Interior iraniano afirma prever, “uma participação maciça – segundo as sondagens que fazem antever um dos sufrágios mais empolgantes de sempre”.

Três mil e quatrocentos candidatos apresentam-se ao sufrágio, quase exclusivamente conservadores, depois da comissão eleitoral ter excluido dois mil candidatos por “falta de implicação com o Islão”.

Em Teerão, uma estudante afirma que nem ela nem o seu círculo de amigos vai votar na sexta-feira.

Outro afirma, “eu decidi que não vou participar neste sufrágio, não tenho qualquer interesse que se passe o mesmo que em 2009, quando o meu voto não mudou nada neste país”.

Mas na cidade de Qom, bastião dos conservadores e do poder religioso, cada voto “é um murro contra o inimigo norte-americano”, como afirmava hoje a imprensa oficial iraniana.

Um estudante de teologia afirma que vai, “obedecer aos apelos da sua hierarquia para que todos afluam às urnas na sexta-feira”.

Dois anos após os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad é a abstenção que deverá exprimir a revolta dos iranianos.