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Putin, o caminho do poder

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Putin, o caminho do poder

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Homem forte incontornável da Rússia, Vladimir Putin apresentava, em Setembro do ano passado, a candidatura com vista ao regresso à presidência.
 
Um anúncio feito no congresso do partido Rússia Unida, que não surpreendeu ninguém.
 
Nomeado em 1999 primeiro-ministro por Boris Ieltsin, um chefe de Estado enfraquecido, Putin conduz a segunda guerra da Chechénia, um conflito sangrento que estabelece a popularidade do chefe de governo e abre as portas ao mais alto cargo.
 
Eleito presidente em Março de 2000, Putin assume em Maio do mesmo ano os comandos da Federação Russa.
 
O primeiro mandato traz o reforço do papel do Estado na economia, combatendo os oligarcas que fizeram fortuna e ganharam grande influência nos anos de Ieltsin. O patrão da petrolífera Iukos, Mikhail Khodorkovski, acaba na prisão, enquanto outros se exilam.
 
Reeleito sem obstáculos em 2004, Putin consolida o poder do Kremlin no segundo mandato, marcado de forma dramática pela tomada de reféns numa escola de Beslan, na Ossétia do Norte. O assalto das forças russas, ordenado por Putin, deixa um balanço de 332 mortos.
 
No entanto, o realizador russo Nikita Mikhalkov – um defensor do homem forte da Rússia – diz que “na conjuntura atual, a única pessoa que pode dar respostas claras ao desenvolvimento do país é Putin. É alguém que conhece realmente o país e o mundo poderá beneficiar também, já que é alguém que já conhecemos”.
 
Desde que assumiu pela primeira vez as rédeas do poder, Putin promoveu o culto da personalidade. Das cinzas do tímido primeiro-ministro de Ieltsin, renasceu o “homem forte” da Rússia.
 
Em Março de 2008, faz-se a passagem de testemunho para Dmitri Medvedev, já que a Constituição russa não autoriza mais do que dois mandatos consecutivos.
 
Putin mantêm-se na retaguarda e prepara discretamente o regresso.
 
O apresentador de televisão Vladimir Pozner – conhecido crítico do poder russo – afirma que “o Kremlin está a enviar a mensagem de que é o verdadeiro Putin que vai aparecer agora, bastante diferente daquele que todos conhecem, porque a situação mudou, graças a ele. E agora pode finalmente ser quem queria ser. É como se fosse um conto de fadas”.
 
A contestação silenciosa ganha voz depois das legislativas de 2011. Moscovo assiste às primeiras grandes manifestações anti-Putin, seguindo-se os protestos contra o regresso do “homem forte” à presidência.