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Filho do ex-magnata Khodorkovsky diz que Putin é "paranóico"

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Filho do ex-magnata Khodorkovsky diz que Putin é "paranóico"

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O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, vão trocar de lugares entre si, em Maio. Mas o ainda presidente Medvedev decidiu marcar o final deste mandato com o pedido de avaliação das sentenças de 32 pessoas, consideradas presos políticos para alguma opinião pública russa e organizações de direitos humanos.

É o caso de Mikhail Khodorkovsky, ex-presidente da petrolífera Yukus, a cumprir pena desde 2003 por crimes económicos. A pena de Khodorkovsky, que já foi um dos homens mais ricos do mundo, termina em 2016. O relatório pedido por Medvedev deverá ser divulgado a 1 de Abril.

O filho mais velho, Pavel, 26 anos, milita pela libertação do ex-magnata, que é considerado um sério adversário político de Putin. O actual primeiro-ministro e futuro presidente nega motivações políticas e continua a classificar Khodorkovsky como “ladrão”.

“Esta iniciativa destina-se a conter o clima de protesto”

O correspodente da euronews em Bruxelas, Andrei Beketov, entrevistou Pavel Khodorkovsky, que se reuniu com eurodeputados no Parlamento Europeu.

Andrei Beketov/euronews(AB/euronews): “O Presidente Medvedev pediu uma avaliação da legalidade da sentença do caso Yukos. Qual é a sua reação?”

Pavel Khodorkovsky(PK): “Esta iniciativa vem de Putin. Destina-se a conter o crescente clima de protesto na sociedade russa. Os manifestantes nas ruas da Rússia exigiram o fim da corrupção, a libertação dos presos políticos e a reforma do sistema judicial”.

AB/euronews: “De quem diz ser a inicitiva? A medida foi anunciada por Medvedev, que teve um comportamente mais liberal que Putin. Pensa que é uma espécie de jogo do polícia bom e do polícia mau, ou uma conspiraçao do polícia mau?”

PK: “Existe a opinião de que, nos últimos meses da sua presidência, Medvedev quer fazer um gesto de boa vontade que confirme algumas das suas promessas. Mas veja os últimos quatro anos do governo de Medvedev. É obvio que ele não tomou nenhuma decisão importante sem antes consultar Putin.”

AB/euronews: “Putin foi o escolhido para presidente e tem agora um mandato de seis anos à frente. Khodorkovsky já não representa uma ameaça?”

PK: “O meu pai não representava antes nem representa agora uma ameaça para o político Putin. Ele diz sempre que, quando for libertado, permanecerá na Rússia, a não se que seja obrigado a imigrar. Não declarou qualquer intenção de entrar na atividade política e de candidatar-se ao cargo de presidente ou de primeiro-ministro. Pretende continuar com os programas educacionais que estava a executar antes de ser preso. No entanto, aos olhos de Putin, ele representa uma ameaça por ser herói para uma parte da opinião pública. Esta ameaça deixa paranóico aquele que é o atual primeiro-ministro e futuro presidente”.

AB/euronews: “Mikhail Khodorkovsky, judeu, empresário bem sucedido que fez fortuna com petróleo, considerado um bem público. A maioria da opinião pública russa olhava com alguma suspeita para ele nessa altura. Esse sentimento tem sido substituído por uma certa admiração pelo martírio que atravessa. O trabalhao intelectual que leva a cabo atrás das grades, as cartas que escreve – tudo isso trouxe-lhe considerável peso político. Pensa que, quando for libertado, poderá ser comparado ao líder sul-africano Nelson Mandela?”

PK: “Em primeiro lugar, espero que não se repita a situação de Mandela, que ficou preso demasiado tempo. Haverá maiores probabilidades do meu pai ser libertado se for aumentando o grau de contestação na sociedade russa. Acredito que tal pode acontecer dentro de um ou dois anos. Nessa altura vão surgir novos líderes políticos”.

AB/euronews: “Considera a possibilidade de regressar à Rússia se a situação política mudar de facto?”

PK: “O meu pai pediu-me expressamente que não regressasse à Rússia enquanto ele estiver atrás das grades. Se a situação mudar e a Rússia voltar a trilhar o caminho do desenvolvimento democrático, é claro que gostaria de voltar para casa, trabalhar e participar ativamente na vida da sociedade civil.”