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Eleitorado republicano continua fragmentado nos Estados Unidos

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Eleitorado republicano continua fragmentado nos Estados Unidos

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Foi uma batalha crucial mas não determinante. A super terça-feira dos republicanos saldou-se com uma pequena vitória de Mitt Romney e uma evidência: o voto republicano está mais fragmentado do que nunca.

Romney, o milionário mormon, começou como favorito nas primárias e impôs-se em seis dos 10 estados onde se realizaram caucuses.

A vitória mais simbólica e estratégica foi a do Ohio. Romney ganhou à justa a Rick Santorum, por uns poucos milhares de votos.

Apesar de tudo, o ex-governador de Massachusetts continua a suscitar a desconfiança das bases do partido republicano, que o consideram demasiado moderado.

Liberto dessas ambiguidades, Santorum, o ex-senador católico que diz que a defesa da separação da Igreja e od Estado lhe provoca mau-estar (“vómitos”, ipsis verbis), o que lhe garante o apoio dos ultraconservadores.

Na realidade, os analistas concordam em que os candidatos vão lutar agora pelo título do mais conservador e anti-governamental.

As próximas primárias vão decorrer em vários estados do sul, terreno hostil para Romney e motivo suficiente para que Newt Gingrich continue na corrida.

Depois da pouco determinante super terça-feira, as coisas estão assim:
Romney é quem tem mais delegados, mas está ainda longe dos 1.144 que precisa para se assumir como rival de Barack Obama, a 6 de novembro.

Mas tudo pode mudar: se Gingrich desistir, Santorum vai concentrar o dinheiro e os mais conservadores, na continuação da campanha.

Os republicanos estão conscientes de que quanto mais se prolongue a batalha, mais debilitado pode chegar o candidato às presidenciais. Falámos com o Professor Frieden para perceber um pouco melhor.

Adrian Lancashire. euronews – Jeffry Frieden, obrigado por estar connosco. Como interpreta os resultados da super terça-feira?

Jeffry Frieden, Politólogo e professor em Harvard –
Acho que a notícia mais importante foi Ohio. Muitos dos outros Estados, a maioria deles, obtiveram os resultados previstos: esperava-se que Gingrich ganhasse na Georgia e Romney, esperava impor-se no Massachussetts e no vizinho Vermont. Ohio era o principal Estado em jogo. A boa notícia é que Romney ganhou no Ohio.

A má notícia é que ganhou à justa. Há tão pouca distância entre ambos que Santorum e Gingritch continuam em campanha para o resto das primárias, pelo menos num futuro imediato. Ohio era o principal Estado em jogo. A boa notícia é que Romney ganhou no Ohio. A má notícia é que ganhou à justa. Há tão pouca distância entre ambos que Santorum e Gingritch continuam em campanha para o resto das primárias, pelo menos num futuro imediato. A corrida continua…

euronews – Nalgumas primárias, os dados ficam lançados muito antes, mas nestas tem havido muito suspense. Afinal que dizem as primárias sobre o eleitorado republicano?

Jeffry Frieden – Acho que estas primárias republicanas nos disseram uma quantidade enorme de coisas sobre o partido republicano, e também sobre os ativistas e simpatizantes do partido.

E o que nos disse é que o partido está muito fragmentado. Por um lado, há um amplo grupo de ativistas extremamente conservadores, estejam na esfera do Tea Party ou não. É um eleitorado muito radical, que não quer um candidato que defenda posições mais moderadas, como Mitt Romney. É um partido com uma extrema direita muito forte, mais potente do que nunca, diria.

Por outro lado, temos um partido com líderes a menos e muitos apoiantes gostariam de ganhar em novembro, e apercebem-se que um candidato que está demasiado longe da direita não tem possibilidades de atrair os votos dos independentes.

Os mais importantes votos dos indecisos vão ser nos Estados cruciais, onde a eleição vai ser decidida. Este é um partido republicano extremamente fragmentado, que enfrenta sérios dilemas.

euronews – E onde se dará a próxima surpresa?

Frieden – As próximas grandes primárias são no sul, no Missisippi e no Alabama, creio. A grande surpresa é que Gingrich pode ganhar esses estados.

Gingrich acha-se muito popular no sul. Mas Santorum pode ser um rival muito duro por causa dá própria fortuna, porque é um bom candidato para os conservadores do sul.

A maioria dos analistas acham que Santorum terá muito bons resultados nos Estados do sul.

Mas se Gingrich se sair especialmente bem, salientando-se nesses Estados, com muita vantagem sobre Santorum, acho que regressa à corrida sem problemas.

Numa situação semelhante, se Gingrich não tivesse ganho a Georgia ficaria, definitivamente, fora da corrida. Por agora continua, de certo modo, como um candidato marginal.. Mas se ficar mais forte nas primárias do sul, então passa a ser o terceiro candidato forte na corrida. Por isso estamos à espera dos futuros resultados de Gingrich para ver se ele regressa em força.