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UE admite criar quotas para mulheres em conselhos de administração

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UE admite criar quotas para mulheres em conselhos de administração

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Há uma espécie de “barreira de vidro” que impede as mulheres de acederem aos cargos de topo na gestão empresarial. A expressão é usada por Viviane Reding, comissária europeia para a Justiça, Direitos e Cidadania, que está desiludida com a indiferença das empresas ao pedido feito, há um ano, para escolherem mais mulheres para altos cargos.

Reding não é fã de quotas, mas admite a sua necessidade: “As quotas representam algo forte, simbólico, que chama a atenção! Por vezes é necessário algo assim, especialmente porque existem mulheres com condições para estarem nos conselhos de administração, mulheres altamente qualificadas, com uma longa experiência de gestão e excelente formação, mas que simplesmente são bloqueadas”.

Nas grandes empresas europeias, menos de 14% de mulheres integram conselhos de administração. E dessas, apenas cerca de 3% detêm o mais alto cargo do conselho.

Ingrid De Latte, directora-geral de uma empresa de serviços de comunicação, dirige sobretudo homens, que representam 85% dos empregados. Considera que legislação europeia que introduza quotas pode ser uma solução, mas não é suficiente.

“A certa altura as mulheres tornam-se mães e claro que todas querem ser “supermães”. Essa vontade é difícil de conciliar com o início de uma importante carreira profissional. Devíamos ajudar as mulheres jovens a fazer essa conciliação”, recomenda Ingrid De Latte.

A Comissão Europeia vai ouvir os parceiros sociais até final de Maio, altura em que tomará uma decisão.

De referir que vários estados-membros da UE adotaram legislação nacional para equilibrarem a composição dos conselhos de administração (alguns nas empresas públicas e outros também nas privadas).

Não é o caso de Portugal, país que apenas tem 6% de mulheres nos conselhos de administração. O valor mais baixo de participação regista-se em Malta (3%) e o mais elevado na Finlândia (27,1%).