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Em entrevista à euronews, Larijani reconhece que Ahmadinejad está em perda, no Irão

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Em entrevista à euronews, Larijani reconhece que Ahmadinejad está em perda, no Irão

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O líder do Supremo Conselho do Irão reconheceu, em entrevista à euronews, que o presidente, Mahmoud Ahmadinejad saíu fragilizadao das recentes eleições parlamentares.

Quinze meses antes de terminar o seu último mandato, o presidente entrou em queda e já não tem poder político.

Após as eleições parlamentares antecipadas, Mohammad Larijani disse que o ocidente deve reconhecer que o Irão tem um tipo novo de democracia e defendeu o controverso programa nuclear do país.

Reagiu à reunião recente entre os líderes de Israel e dos Estados Unidos, onde a possibilidade de ação militar contra as instalações nucleares iranianas foi discutida.

ML – Pôr-me no lugar do povo americano, seria um pouco confrangedor, porque para travar o coração dos cidadãos americanos, é preciso começar pelo lado oficial. Parece que o povo vai primeiro ao encontro do coração de Natanyahu e o Comité de Assuntos Políticos Americano-Israelita instalou-se no coração do Povo. Foi uma distracção da maioria da população, que os políticos americanos aproveitaram. O programa nuclear do Irão é absolutamente transparente e todos o conhecem, inteiramente. A minha análise é que se trata de um aproveitamento político, para confundir a atenção das pessoas e distraí-las das questões económicas, que são muito duras e difíceis de resolver. Nem os democratas, nem os republicanos têm um programa viável, para responder aos problemas. De qualquer modo, esta maldita ameaça de violência contra uma nação, não tem precedentes.

EN – Disse que o programa nuclear é transparente, mas mesmo os russos têm dito, recentemente, que o Irão deve manter a promessa de permitir o acesso dos inspetores internacionais ao programa nuclear, o que não aconteceu, recentemente, em Fevereiro, quando a missão da IAEA regressou, dizendo que foram obstruídos, de todas as maneiras, que ficaram de ‘mãos vazias’? Onde está a transparência?

ML- A monitorização contínua aqui. As câmeras estão lá. As pessoas vão lá. ‘Mãos vazias’ é uma má expressão, porque depende de como definiram a missão. Obviamente, devem definir a missão, aprioristicamente. Não podem acenar com as mãos e dizer eu quero ir lá ver isto.

EN – Mas num sistema transparente, isso aconteceria….

ML – Mesmo num sistema transparente, não significa que eles dêem uma chamada telefónica, para dizerem que querem vir a um certo local. Nós concordamos com a transparência desenvolvida. Mas a equação tem dois lados. Esperam transparência da nossa parte, mas nós também esperamos cooperação do outro lado. Nós devemos ter acesso a todas as partes não militares, da atividade nuclear. Nós devemos ter a capacidade de apreciar a cooperação de outros estados. Nós somos privados de tudo e pedem, unilateralmente, que o Irão seja transparente. É incompatível.

EN – Parece que me está a dizer que, ‘não há transparência total, porquer não conhece o outro lado da moeda’.

ML – Não, de facto. Eu quero dizer que a transparência é um espetro. Depende do que está a impedir a ação dos monitores. Para o reator nuclear em Teerão, que nós usamos para produzir medicamentos e tratamentos médicos para pacientes que sofrem de cancro, obviamente, nós podemos comprar 20 por cento de urânio enriquecido. Bem, primeiramente disseram que nós o deviamos trocar. E nós dissemos: ‘acabou’.
E eles disseram: ‘Não, vocês devem dar todo o urânio enriquecido’. Isto não faz sentido. Nós queremos usar um reator nuclear em Teerão, exclusivamente, para tratamento médico. E dissemos: ‘Esqueçam isso, nós fizemo-lo e vamos usá-lo’. Isto são maus hábitos dos Estados Unidos. Nós não aceitamos a liderança dos Estados Unidos. Esta é uma história absolutamente falhada. Mas podem tratar-nos, como qualquer estado soberano.Fantástico! Nós podemos falar, nós podemos negociar, nós podemos fazer concessões mútuas. Nós podemos fazer muitas coisas, mas não receber ordens. Esta liderança pode ser aceite pela Alemanha, pelo Sarkozy e por outros, mas, definitivamente, não, pelos iranianos. A questão básica é óbvia. O Irão está a emergir como um poder influente, na região, com um sistema social e político diferente. Nós temos a nossa própria democracia, não baseada num sistema liberal, mas baseada na racionalidade islâmica. E esta experiência, que tem mais de três décadas, está a retirar o Irão da influência dos Estados Unidos, como um país lider e com um nível mais avançado na ciência e na tecnologia”.

EN – Poderia explicar a vossa democracia, quando os líderes da oposição estão a ser detidos, e não é permitido, a muitos candidatos, participar nas eleições? Que tipo da democracia é esta?

ML – Antes de mais nada, a oposição no Irão, quer dizer, os reformistas, têm cerca de 40 lugares no parlamento. Aqueles que estão na cadeia não estão lá, definitivamente, por causa das suas ideias políticas. Eles atuaram fora da estrutura legal. Para actuar numa sociedade civil, devemos respeitar as leis, mesmo quando não concordamos com essas leis. No Irão, se alguém nega Deus, ou nega a legalidade do sistema islâmico, não pode participar a seguir numa eleição que, por juramento, deve ser disputada por alguém que venha trabalhar para o sistema islâmico.

EN – Está a sugerir que Mirhossein Mousavi ou Mehdi Karoubi neguem a existência do Deus?

ML – Não, estou a sugerir que eles participaram num golpe de Estado, contra este estado, nas últimas eleições. Não era uma campanha eleitoral. Empregaram mal o entusiasmo da eleição e, no limite, mesmo antes de os resultados saírem, anunciaram-se como vencedores e pediram que as pessoas viessem para as ruas, derrubassem o governo e criassem um governo novo. Isto é, em absoluto, um golpe de estado. Isto é um crime grave.

EN – Tentaram isso?

ML – Bem, estão sob investigação e a documentação que lhes foi apreendida está a ser compilada. De facto, o governo e o sistema judiciail estão a tratá-los, com mãos leves. Não é do interesse de uma nação tão grande, com confiança no seu poder, resolver estes erros com a pena máxima. O sistema quer tratá-los, com penas suaves.

EN – Onde está o presidente Ahmadinejad, depois destas eleições? Onde está a sua basse social de apoio?

ML – O presidente Ahmadinejad está a terminar o seu segundo mandato. É o seu fim, na presidência. Obviamente, de acordo com a Constituição, ele não pode recandidatar-se. Estamos concentrados nas próximas eleições, para escolher, entre os candidatos, um que, talvez, possa ter sucesso.