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Importantes desafios em ano de transição política na China

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Importantes desafios em ano de transição política na China

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Quais os desafios para a China, a um ano de iniciar um importante processo de transição? Na finda sessão anual da Assembleia Nacional os trabalhos focalizaram-se nas propostas com vista a uma melhoria da estabilidade do modelo económico chinês.
 
O objetivo: eliminar qualquer obstáculo que possa interferir com o processo de substituição dos líderes do regime comunista.
 
Dentro de um ano, o Presidente Hu Jintao será substituído pelo vice-presidente Xi Jinping. O primeiro-ministro, Wen Jiabao, vai ceder o lugar a Li Keqiang, actual vice-primeiro-ministro.
 
A recente visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, onde foi recebido na Casa Branca por Barack Obama, reforçou o seu estatuto de futuro líder do regime chinês.
 
Para que não haja sobressaltos, o governo de Pequim deve mais do que nunca gerir uma economia que começa a dar os primeiros sinais de alguma fraqueza.
 
Em fevereiro, a China teve um défice comercial recorde de 31,48 mil milhões de dólares, o maior dos últimos 10 anos.
Devido aos resultados macro económicos registados em 2011 e tendo em conta o contexto internacional, as autoridades fixaram o crescimento para 2012 em 7,5%.
 
Ainda em fevereiro, a inflação ficou-se pelos 3,2%, o nível mais baixo dos últimos 20 meses.
 
Estes dois indicadores são importantes para manter a paz social no país. Para que haja criação de empregos, o crescimento deve rondar os 8% do PIB.
 
De acordo com as autoridades, 25 milhões suplementares de trabalhadores vão procurar emprego nas grandes cidades em 2012, mais de metade terá frequentado o ensino superior.
 
A estes 25 milhões juntam-se entre nove e 10 milhões provenientes das zonas rurais.
 
Atualmente, os principais focos de descontentamento social estão isolados e dizem sobretudo respeito às expropriações de terras levadas a cabo por funcionários corruptos.
 
No entanto, o caso da localidade de Wukan, em finais de 2011, acabou por chamar a atenção dos meios de comunicação social a nível nacional o que constitui um novo desafio para as autoridades.
 
As regiões mais ocidentais de Xinjian e do Tibet permanecem centros de tensão. No Tibet houve uma série de imolações e protestos contra as restrições religiosas e culturais impostas por Pequim.
 
A tensão não se dissipou com a repressão registada em 2008 e continua a manchar a imagem internacional da China.
 
E é precisamente neste período de desafios para a China que falámos com o Dr. Robert Lawrence Kuhn, o nosso habitual especialista em assuntos relacionados com a China e autor de “Como os líderes da China pensam”.
 
Nial O’Reilly, euronews
Dr. Kuhn, obrigado por estar connosco Esta Assembleia Nacional Popular acontece num momento crucial para a China, com o aumento das pressões económicas e assuntos internacionais cada vez mais complexos para gerir. Para além da tradicional demonstração de unidade, quais foram as decisões chave tomadas pela Assembleia nestas áreas?
 
Robert L. Kuhn, analista
A Assembleia focalizou-se na atividade doméstica. Houve muito pouco sobre os assuntos internacionais. Foi praticamente só política interna. Ou seja, o sistema de saúde que é muito importante porque é muito mau na China. É corrupto, ineficaz e as pessoas estão muito preocupadas. Segurança social, reformas e educação. Estes são os principais temas de que as pessoas falam. Sobre a economia, o primeiro-ministro Jiabao fixou o crescimento em 7,5%. Isto pode provocar problemas nos mercados financeiros que esperavam 8% como nos anos anteriores. Mas a China ultrapassa sempre esse valor. Eles baixaram o objetivo de crescimento e a razão para tal decisão é o facto de a China estar a tentar equilibrar a sua economia.
 
Nial O’Reilly, euronews
A Assembleia surge também numa altura em que se vai proceder à maior transição de liderança do país em quase uma década. Quais foram as principais mensagens enviadas pelos atuais líderes e pelos seus pressupostos herdeiros nesta transição?
 
Robert L. Kuhn, analista 
Há regra geral um bom sentimento em relação aos novos líderes. A liderança da China é controlada por nove membros do que é chamado Comité Permanente do Politburo. Tudo o que se passa na China tem que passar por cada um destes nove indivíduos. Não é como um gabinete americano no qual o Presidente pode contratar e despedir quem quer. Estes nove indivíduos são independentes. O novo Presidente, que é líder do partido, é muito provavelmente Xi Jinping. Ele é um dos nove membros e o primeiro entre iguais, e são definitivamente iguais. Ele não pode despedir nenhum dos nove. A única maneira para que um desses nove membros seja substituído é através de um voto com a participação dos nove.
 
Nial O’Reilly, euronews 
As atenções durante a Assembleia devem ter estado todas viradas para Xi Jinping, que esteve recentemente em visita de Estado nos Estados Unidos. O seu estatuto no seio do partido mudou depois dessa visita?
 
 
Robert L. Kuhn, analista
A visita de Xi Jinping aos Estados Unidos foi extremamente importante neste ano de transição e foi um grande sucesso. Foi muito bem vista na China. As pessoas apreciaram o facto de o futuro líder ter sido capaz de dar uma imagem sofisticada na cena internacional, elevando a China para um novo nível de poder e respeitabilidade entre as nações mundiais. Por isso, apesar de ter tido em primeiro lugar um impacto internacional, a principal audiência foi a China e demonstrou que é a pessoa certa para estes tempos complexos.
 
Nial O’Reilly, euronews 
São tempos interessantes para a China. Vamos continuar a acompanhar os novos desenvolvimentos consigo Dr. Kuhn. Obrigado por ter estado connosco.