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Marine Le Pen: a candidata que rejuvenesce a ouvir Sarkozy

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Marine Le Pen: a candidata que rejuvenesce a ouvir Sarkozy

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Entre os candidatos à sucessão de Nicolas Sarkozy, Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, recebe cada vez mais destaque.

Marine é, primeiro de tudo, a filha do seu pai, Jean-Marie Le Pen, o fundador do partido. Afirma não militar pela extrema-direita, mas por uma “direita patriótica”. Uma postura política cerradamente nacionalista perante a Europa.

A segurança e a imigração são os eixos mais marcantes das suas propostas, conhecidas por gerar controvérsia. O que quer que aconteça, o seu resultado vai influenciar o rumo destas eleições.

Em janeiro de 2011, Marine Le Pen assumiu o lugar do seu pai, à cabeça da Frente Nacional, na sequência de uma carismática liderança que durou cerca de 30 anos. Durante esse percurso, registou-se um verdadeiro sismo na escala política. Foi em abril de 2002. O líder da extrema-direita levou a melhor ao candidato de esquerda, e avançou para a segunda volta das eleições presidenciais juntamente com Jacques Chirac. Chirac acabou por conquistar uma retumbante vitória, com mais de 82 por cento dos votos. Mas, embalada pelo impulso da projeção política, Marine inicia uma caminhada em direção à cúpula, denunciando a vontade de limpar a imagem radical do partido.

Acompanhamos a sua campanha em Marselha, a cidade que acolhe, habitualmente, grandes comícios para ouvir os Le Pen. Mais de três mil pessoas vieram assistir ao discurso da líder do movimento de extrema-direita, na sua primeira campanha presidencial. O discurso centra-se, justamente, na imigração e na segurança. Aqui ficam alguns excertos da intervenção:

“Depois da ‘assimilação’, começou a falar-se em ‘integração’; depois a ‘integração’ foi substituída pela ausência total de exigências aos estrangeiros acolhidos no território francês. Hoje em dia, estes estrangeiros são muito mais numerosos do que antigamente. Muitas vezes, vêm impôr os seus direitos, vêm impôr os seus costumes ao povo francês, depois de chegarem ao nosso território.”

“Agora vemos bairros inteiros nas periferias, às vezes mesmo dentro das cidades, às vezes cidades inteiras entregues aos ditames de bandos; temos o direito de ficar alarmados.”

“Esta manhã gravei um programa… Não acham que pareço mais nova? É que todos os sábados faço uma cura de rejuvenescimento de cinco anos, porque ouço Nicolas Sarkozy fazer as mesmas promessas do que em 2007.”

“Logo que seja eleita Presidente da República, iniciarei, juntamente com o Ministério da Soberania, uma renegociação geral dos tratados europeus. Irei fazê-lo com as nações nossas amigas, as nações europeias onde, como nós, cresce o ímpeto democrático de construir, finalmente, a Europa dos povos.”

Jean-Marie Le Pen, presidente honorífico da Frente Nacional, assistia ao discurso da filha. No final, subiu ao palco para cantar, em conjunto, “A Marselhesa”.