O início da semana foi marcado pela tragédia na Suíça, onde um grave acidente de trânsito vitimou 52 pessoas, entre alunos, professores e motoristas do autocarro que foi contra a parede de um túnel. No Parlamento Europeu, em Estrasburgo, os eurodeputados prestaram homenagem às vítimas da tragédia na Suíça.
O Parlamento Europeu pediu ao presidente russo Valdimir Putin para baixar o tom das suas críticas contra os manifestantes da oposição. Os eurodeputados ouviram membros da oposição e aprovoaram uma resolução. Consideraram que o processo eleitoral não foi “nem livre nem justo”, porque um dos candidatos foi beneficiado.
O correspondente da euronews em Bruxelas, Andrei Beketov, abordou a situação na Rússia com o analista do Centro de Estudos de Política Europeia, Michael Emerson; começando por perguntar o que é que considerou mais grave no processo eleitoral.
Michael Emerson/Centro de Estudos de Política Europeia (ME/CEPE): “Fraudes graves nas urnas, pessoas que votaram dez vezes – o chamado carrossel – esse tipo de situações. A minha impressão é que essa fraude não atingiu uma amplitude que permitisse lançar dúvidas sobre a vitória de Putin de um ponto de vista técnico. Mais grave ainda foi a inexistência de condições para a oposição fazer a campanha eleitoral, nomeadaente ao nível de quem se podia registar como candidato, quem acedia à comunicação social. Foi extremamente tendencioso e impediu uma real oposição. Zyuganov, Zhirinovsky, Mironov não eram realmente candidatos da oposição, eram uma espécie de candidatos “fantoches” numa eleição de fachada”.
Andrei Beketov/euronews (AB/euronews): “Porque é que políticos não muito populares como Kasyanov e Kasparov continuam a ser convidados para Estrasburgo e Bruxelas, e não os candidatos formalmente aceites pelo sistema?”
ME/CEPE: “Zyuganov não é um interlocutor particularmente interessante, Zhirinovsky é bastante divertido, mas também não é lá muito sério, digamos. Por outro lado, penso que Prokhorov fez uma campanha eleitoral interesante. E Navalny também poderá ser convidado.”
AB/euronews: “Como pode a União Europeia incentivar o processo de democratização e de maior liberdade de expressão?”
Michael Emerson: “Primeira regra de ouro: não fazer nada. Deixar os russos resolverem as coisas por si sós. Dar mais vistos de viagem, ter boas relações com os russos ao nível pessoal. O pior erro diplomático é cair na armadilha de Putin, que fala de de uma alegada conspiração para derrubar o seu regime através do apoio, mesmo financeiro, a determinados ativistas democráticos. Logo, não se deve fazer nada.”
Andrei: “Quando se podem dar ao luxo de nada fazer. Mas e quando há pontos em que a UE e a Rússia estão em conflito?”
Michael Emerson: “Tem de ser a própria Rússia a definir a sua reputação em termos de relações internacionais, não será? A Rússia está muito orgulhosa de ser um membro do BRICS. O BRICS é o novo mundo a dizer ao Ocidente o que deve ser feito. A actual situação na Síria é o exemplo absolutamente perfeito de como a Rússia pode arruinar a sua reputação em termos de política externa.”
Andrei: “Pensa que poderá passar-se na Rússia uma revolução como a da Primavera Árabe?”
Michael Emerson: “A repressão brutal da insurreição não é uma possibilidade política para Putin nos dias de hoje. Putin recebeu avisos suficientes do povo de que não toleraria tal coisa”.
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