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Península Ibérica enfrenta seca extrema

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Península Ibérica enfrenta seca extrema

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Espanha atravessa a pior seca dos últimos 70 anos. Milhares de empregos agrícolas estão em risco e as perdas financeiras deverão ser gigantescas. As associações de agricultores falam de um prejuízo da ordem dos 650 milhões de euros. Notícias alarmantes para um país que atravessa uma crise económica dramática. Neste inverno a precipitação foi 30 por cento inferior ao normal.

José Manuel Allue decidiu regar a seara, uma medida extrema porque geralmente basta a chuva para regar o trigo ou a cevada: “Se não chover nos próximos dois ou três dias, e as previsões dizem que não, não há solução, as searas estão condenadas. E vamos ver o que que acontece aos produtos hortícolas e aos frutos porque há pouca água. Esta é a mais recente catástrofe, pelo que vai haver muito desemprego no setor agrícola. Não tenho ideia do que vai acontecer até ao final do ano.”

A nível nacional, as barragens estão a 62 por cento da sua capacidade. Há um ano estavam a 80 por cento. Em regiões como Aragão estão apenas a 20 por cento. Esta barragem está tão vazia que se podem ver as ruínas do que já foi uma aldeia submersa.

“Em princípio, a seca é cíclica em Espanha. O que é surpreendente é a violência da seca nestes últimos três meses. Em muitas regiões de Espanha não caiu uma gota. Já tivemos secas noutras ocasiões mas normalmente há alguma precipitação” – explica o meteorologista Ángel Ribera.

A situação em Portugal é semelhante. Mais de metade do país encontra-se em seca extrema. O governo anunciou esta semana um conjunto de medidas no valor global de 90 milhões de euros para ajudar o setor agropecuário.

A pedido de Portugal, a seca na península ibérica foi incluída na agenda da próxima reunião dos ministros da agricultura da União Europeia. Entre os pontos em discussão vai estar o pedido de adiantamento dos pagamentos de ajudas diretas.

Se a situação não melhorar, Portugal e Espanha preparam-se para um verão dramático, também, ao nível dos incêndios. Só o regresso da chuva poderá inverter o panorama atual.