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ACNUR pede mais apoio europeu aos refugiados da Síria

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ACNUR pede mais apoio europeu aos refugiados da Síria

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De acordo com as Nações Unidas, cerca de 30 mil sírios atravessaram as fronteiras para a Turquia, Líbano e Jordânia, para fugirem à sangrenta repressão do movimento pró-democracia que decorre há um ano.

Mas além dos países vizinhos, a Europa é um dos principais destinos do enorme fluxo de refugiados em resultado da Primavera Árabe, vindos do Médio Oriente e do Norte de África.

Mas a política de acolhimento na União Europeia não tem sido muito generosa, como referiu o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, em entrevista à euronews. Guterres diz que a UE deve ter uma atitude de maior apoio aos países em processo de transição democrática.

Natalia Richardson-Vikulina/euronews (NRV/euronews): “A situação dos refugiados da Síria piora a cada momento. Qual é o principal obstáculo à resolução deste problema?”

António Guterres/Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (AG/ACNUR): “Em primeiro lugar, penso que é necessário reconhecer a enorme generosidade dos países vizinhos que ofereceram acolhimento, tais como a Turquia, Líbano e Jordânia. Apesar das circunstâncias muito difíceis, têm mantido suas fronteiras abertas, dão proteção e assistência a todos aqueles que cruzaram as fronteiras. Claro que, como o número de refugiados está a aumentar, é cada vez mais difícil prestar assistência. Precisamos mobilizar esforços para apoiar esses governos e de apelar à solidariedade internacional no sentido de dar a este povo a proteção de que necessita e assegurar que as suas necessidades básicas são plenamente atendidas.”

NRV/euronews: “A Turquia antecipa a chegada de 500 mil refugiados sírios. O que deve a comunidade internacional fazer para apoiar a Turquia?”

AG/ACNUR: “O ritmo atual é de 500 a 1000 pessoas que atravessam diariamente a fronteira. Portanto, estamos ainda longe dos números que foram avançados. Mas creio que a solidariedade internacional é algo muito importante e que todos os países devem ajudar a Jordânia, Líbano e Turquia a desenvolverem a capacidade de lidar com este desafio. Em especial se não forem encontradas, como espero, soluções no interior da Síria e venha a ocorrer uma fuga em massa. Estamos totalmente empenhados em apoiar o povo sírio neste momento, especialmente porque a Síria sempre foi muito generosa no que toca a receber refugiados. Os sírios acolheram 500 mil refugiados palestinianos e, a dada altura, mais de um milhão de refugiados do Iraque, com quem partilhavam tudo, revelando uma grande generosidade. Por isso é chegada a altura de ter a mesma generosidade para com os sírios.”

NRV/euronews: “A Amnistia Internacional diz que UE falhou vergonhosamente na ajuda a milhares de refugiados nas fronteiras com a Líbia. Concorda com essa opinião?”

AG/ACNUR: “Infelizmente, foi muito baixo o número de ofertas de realojamento por parte da UE: menos de mil. Esperamos que com o apoio de outras regiões do mundo como o Canadá, Austrália e Estados Unidos, seja possível superar essa dificuldade. Mas é claro que gostaríamos de ter mais ofertas de realojamento vindas da Europa. Seria muito importante dar um forte apoio aos países que estão em vias de transição democrática. Países como a Tunísia e o Egito, por exemplo, que têm sido muito generosos no acolhimento de tantas pessoas que atravessam as fronteiras e que enfrentam enormes desafios ao nível do desenvolvimento económico e social. Sendo eu de natural de Portugal – um país que passou há muitos anos por uma revolução -, sei bem que a solidariedade internacional é absolutamente vital para preservar a democracia. Espero que esta solidariedade internacional não falhe em relação à Tunísia e ao Egito, no momento em que estes dois países precisam de consolidar as suas transições democráticas.