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França: serviços secretos conheciam suspeito há anos

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França: serviços secretos conheciam suspeito há anos

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A notícia surpreendeu tudo e todos no bairro Izards, em Toulouse. O cerco da polícia para deter o suspeito dos ataques contra uma escola judaica e contra militares deixou os vizinhos perplexos e revoltados. Perplexos porque descrevem uma pessoa calma e simpática. Revoltados porque temem a estigmatização dos muçulmanos.
  
O homem foi identificado como Mohamed Merah, um cidadão francês, de origem argelina. É mecânico, tem 23 anos e um registo criminal por pequenos roubos.
 
É suspeito de ter disparado a matar a partir de uma “scooter”, com uma colt 45 e uma Uzi, uma pistola-metralhadora de origem israelita. Ambas são ilegais em França.
  
Mohamed Merah estava a ser vigiado há vários anos pelos serviços secretos franceses, por ter viajado ao Paquistão e ao Afeganistão. No entanto, as autoridades não confirmaram que ele tenha tido formação nos campos de treino de radicais islâmicos, conhecidos por receberem voluntários europeus.

 

O suspeito descreveu-se como um combatente islâmico e membro da Al-Qaeda. Não se sabe se terá sido um ato solitário ou comandado. Mas tudo indica que Mohamed Merah teve ligações ao grupo “Forsane Alizza” (“Cavaleiros do Orgulho”), uma organização islamita banida de França no mês passado, pelo ministro do Interior, Claude Guéant.
   
No site do grupo, uma fotografia a evocar a morte de crianças palestinianas…. O suspeito indicou que as queria vingar, segundo declarações do ministro francês. “Forsane Alizza” recrutava através de vídeos colocados na internet. Na última mensagem, o grupo anunciava procurar soldados.
 
Duas dezenas de franceses terão partido para o Afeganistão, nos últimos anos, para serem treinados em campos jihadistas, de acordo com o “Le Figaro”. O jornal baseia-se em fontes dos serviços secretos, que mencionam uma centena de europeus.
 
Desde os atentados no metro de Paris, em 1995, os extremistas islâmicos não tinham perpetrado nenhum ataque em território francês.
 
No entanto, os candidatos à “guerra santa” oriundos da Europa continuam a ser a principal preocupação das unidades antiterroristas e dos serviços secretos que temem que regressem aos seus países para cometer atentados.