Última hora

Última hora

Soldado americano acusado de premeditar assassínio de civis afegãos

Em leitura:

Soldado americano acusado de premeditar assassínio de civis afegãos

Tamanho do texto Aa Aa

O soldado norte-americano Robert Bales foi formalmente acusado do assassínio premeditado de 17 civis no Afeganistão. O tribunal militar que julga o caso reteve igualmente seis acusações de tentativa de assassínio pelas vítimas feridas durante o ataque solitário contra duas aldeias nos arredores de Kandahar.

Atualmente detido numa prisão militar no Kansas, Bales incorre numa pena entre a prisão perpétua e a pena de morte.

Há mais de 50 anos que o exército norte-americano não executa um dos seus militares – desde o enforcamento de um militar em 1961 acusado da violação de uma rapariga de 11 anos na Áustria – e os observadores afirmam que será pouco provável que Bales termine no chamado “corredor da morte”.

Face a uma opinião pública cada vez mais desfavorável à presença norte-americana no Afeganistão, uma cidadã americana afirma que, “Bales deveria ser julgado no Afeganistão para ser confrontado com as vítimas dos seus atos”.

Outro afirma, “seria uma injustiça que Bales fosse absolvido devido ao seu alegado estado mental, pois isso não lhe confere o direito de matar vítimas civis”.

O ataque inflamou as relações entre Washington e Cabul em pleno processo de transição, antes da anunciada retirada militar em 2014.

Em Kandahar, Wazir Khan, perdeu 11 familiares no ataque:

“Nós não queremos dinheiro. O dinheiro não compensa a perda que sofremos. Queremos que esta pessoa seja julgada. Dizem que foi um ato solitário e esta alegação vai ter de ser provada, dizem que sofria de problemas mentais, mas isso é totalmente mentira”.

A audiência do processo vai iniciar-se nas próximas semanas numa base militar do estado de Washington. No Afeganistão, o julgamento foi considerado totalmente ilegítimo pelos Talibãs que reafirmaram que pretendem vingar-se da ação com novos ataques sobre as tropas norte-americanas.