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Síria: Sanções não vão fazer cair o regime, diz ex-Presidente do Líbano

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Síria: Sanções não vão fazer cair o regime, diz ex-Presidente do Líbano

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O Líbano é um dos países mais afetados pela atual situação política e humanitária na vizinha Síria, como explicou o ex-presidente libanês, Amine Gemayel, ao correspondente da euronews em Bruxelas, Charles Salamé.

Amine Gemayel/ex-Presidente do Líbano (AG/ex-P. Líbano): “Toda a violência, morte e instabilidade que a Síria impôs ao Líbano, quando ocupou o nosso país, são agora sentidas pela sua própria população, no seu próprio território. No que respeita ao impacto das sanções económicas, infelizmente este tipo de regimes não é sensível à fome que atinge o povo. Tal como no tempo da União Soviética e das piores ditaduras, o bem-estar das pessoas é o que menos os preocupa. Não creio que, a curto prazo, as sanções económicas possam ter um papel relevante para a queda do regime sírio.”

Charles Salamé/euronews (CS/euronews): “Qual é o impacto económico no Líbano desta situação vivida na Síria?”

AG/ex-P. Líbano: “Sem dúvida que há consequências diretas. A violência e a economia debilitada da Síria forçam parte da população a procurar refúgio no Líbano. O fardo dessa situação fica a cargo do Líbano. Há muito tempo que acolhemos os refugiados palestinianos. Mas será que o Líbano, atualmente a atravessar uma situação económica difícil, vai ter capacidade de acolher um grande número de refugiados sírios? É um problema que nos preocupa, tanto no curto como no médio prazo.”

CS/euronews: “As autoridades sírias acusam o Líbano de não controlar eficazmente as suas próprias fronteiras. Que elementos tem sobre esta questão?”

AG/ex-P. Líbano: “É do interesse de ambas as partes que haja um efectivo controlo da fronteira entre o Líbano e a Síria. Mas o governo libanês tem sérias dificuldades em controlar todas as suas fronteiras. Gostaria de acrescentar que a oposição síria e os revolucionários não precisam de apoio vindo da fronteira libanesa. Sabemos bem que o governo turco apoia claramente a oposição síria. Há também outros países com longas fronteiras com a Síria, que têm interesses internos e maior capacidade de apoiar a oposição, tais como o Iraque e a Jordânia. Além disso, alguns países do Golfo e outros países ricos proclamaram a sua solidariedade e enviaram armas para os revolucionárias sírios. As armas chegam-lhes através de muitas fronteiras: com a Turquia, a Jordânia, o Iraque ou o Líbano, mas também fornecidas por traficantes através da via marítima.”