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EUA: sonho de Obama pode tornar-se pesadelo a quatro meses das presidenciais

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EUA: sonho de Obama pode tornar-se pesadelo a quatro meses das presidenciais

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Uma cobertura médica universal: um velho sonho de Barack Obama, mas que o Presidente norte-americano não consegue fazer aceitar pelos seus compatriotas. Dois anos após a promulgação da lei de reforma do sistema de saúde, dois terços dos americanos querem a sua abolição. Porquê?

No centro da polémica está o caráter obrigatório da lei. Os 32 milhões de americanos que não têm seguro de saúde têm ainda dois anos para o fazer.

Senão correm o risco de pagar multas de 95 dólares por adulto e metade deste valor por criança a partir de 2014. Em 2016 estes valores poderão aumentar para 695 dólares por adulto e metade por criança.

Para uma cobertura de 70% das despesas médicas, o custo anual médio dos seguros de saúde privados é de pouco mais de 5000 dólares por pessoa. Estes custos têm a participação do Estado, que pode atingir os 96% para os mais pobres.

Para os opositores à reforma de Obama, como John O’Connor, empresário, dar ao Estado o poder de obrigar os cidadãos a comprar algo abre um precedente perigoso.

“Devíamos controlar o nosso próprio destino. O consumidor deve poder decidir. Tenho muitas dúvidas sobre se as coisas vão melhor com o envolvimento do governo.”

Para além da dimensão social, a reforma do sistema de saúde tem como objetivo reduzir o défice no orçamento de Estado que aumenta todos os anos em 43 mil milhões de dólares devido aos 32 milhões de pessoas sem seguro.

As pessoas que não têm seguro não vão ao médico regularmente, o que significa que quando chegam às urgências os custos com o tratamento são muito mais elevados, como explica o doutor Basim Khan, um médico que defende a reforma de Obama.

“Sem seguro de saúde as pessoas não se tratam. Vão para as salas de espera das urgências e pagam milhares e milhares de dólares em tratamento. Fundamentalmente, enquanto país temos que ter um seguro de saúde para cada indivíduo. A lei não é perfeita mas permite-nos caminhar nesse sentido.”

Se a obrigação de subscrever um seguro de saúde for considerada anticonstitucional pelo Supremo Tribunal em junho, o sonho de Obama poderá tornar-se num verdadeiro pesadelo, a quatro meses das eleições presidenciais.