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Papa e Fidel têm conversa "animada"

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Papa e Fidel têm conversa "animada"

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Bento XVI encontrou-se com Fidel Castro, em Havana, no último dia da visita a Cuba.
 
O encontro foi solicitado pelo líder histórico cubano e durou cerca de meia hora.
 
A reunião com Fidel Castro, de 85 anos, que se retirou do poder em 2006 por motivos de saúde, decorreu de modo “animado”, segundo o porta-voz do papa, Frederico Lombardi.
 
Horas antes, durante uma missa campal para mais de 300 mil pessoas, na Praça da Revolução, Bento XVI encorajou os cubanos a procurar uma “liberdade autêntica” e pressionou o governo comunista para deixar a Igreja Católica ensinar a religião nas escolas e universidades.
 
Este pedido segue a linha do do antecessor João Paulo II, que visitou a ilha há 14 anos. Desde então, na perspetiva da oposição, pouco mudou no quotidiano dos cubanos.
 
“O que o governo está a fazer é a extinguir tudo. Fala com arrogância e com impunidade. Trata as cerimónias das massas como se fossem manobras militares. Não projeta, claramente, o desejo de paz, proclamado por Sua Santidade.” avança o dissidente Oswaldo Paya.
 
O grupo “Mulheres de Branco” constituído por esposas ou viúvas de dissidentes políticos, foi autorizado, excecionalmente, a manifestar-se durante a visita do Papa. As mulheres esperavam um gesto de Bento XVI, em relação aos prisioneiros políticos.
 
“Queremos pedir ao Santo Padre que faça alguma coisa pelos presos políticos,” diz uma das mulheres.
 
Questionada sobre se a igreja colabora com o governo, a resposta é lacónica.
 
“Não sei o que responder…”
 
Durante a visita papal, Bento XVI condenou o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba, há mais de meio século. O Sumo Pontífice afirmou, ainda, que “Cuba deve construir uma sociedade mais aberta, baseada na verdade, na justiça e na reconciliação”.
  

Não haverá reformas políticas em Cuba

As reformas económicas em Cuba não serão seguidas por reformas políticas. A mensagem foi deixada pelo vice-presidente Marino Murillo por ocasião da visita do Papa, que alimentou novas esperanças.

O Partido Comunista cubano aprovou em Abril do ano passado um plano de mais de 300 reformas económicas com o objetivo de reformular um modelo herdado da era soviética que se encontrava à beira da falência.

Mas se Havana fala numa “atualização do modelo económico cubano”, não esconde que é com o objetivo de preservar o modelo socialista que governa atualmente a ilha.

As provas de que, na política, tudo está na mesma, multiplicam-se. As Damas de Branco, mulheres e mães de presos políticos, manifestaram-se antes da chegada de Bento XVI com um pedido simples: encontrar o Papa, nem que seja por um minuto. As suas vozes não foram ouvidas.

Antes da chegada do Sumo Pontífice, a Amnistia Internacional denunciou a intensificação do assédio à oposição, enquanto o governo de Havana detia 150 dissidentes, para tentar evitar protestos.

Euronews: A visita do Papa a Cuba colocou a ilha no centro das atenções e renovou a esperança de mudanças económicas e políticas.
 
O presidente Raul Castro introduziu algumas reformas no sistema ao estilo soviético, mas até onde está disposto a ir? E de que forma pode a Igreja Católica contribuir na criação de uma sociedade mais aberta?
 
Para responder a estas questões, falamos com a journalista Christiane Amanpour que se encontra em Havana.
 
Na sua opinião que impacto é que a visita do Papa vai ter no futuro de Cuba?
 
CA:“Bem, é difícil de dizer, mas posso explicar porque é que as pessoas estão a ser um pouco hipócritas. Estive aqui há 14 anos quando João Paulo II veio a Cuba e a esperança era enorme, mas pouco mudou.
 
Nos últimos sete anos foram introduzidas algumas reformas económicas, mas não políticas.
Ontem, um dos ministros cubanos excluiu a hipótese de se virem a realizar, no caso de ainda existirem dúvidas. Não vai haver reformas políticas, mas as económicas vão continuar.
 
Por outro lado, o que a visita do Papa fez em 1998 foi aumentar a influência da Igreja Católica e é isso que esperam que continue a fazer. Na verdade esta é a única instituição reconhecida. Mas as mudanças serão lentas e ninguém antecipa qualquer explosão doméstica, nenhuma revolução como temos visto no mundo Árabe. E esta é a situação no momento.
 
Euronews: A igreja continua a ser a maior e mais influente instituição em Cuba à margem do governo, claro. O Vaticano afirma ter feito vários apelos humanitários durante esta visita que estarão, possivelmente, ligados aos prisioneiros políticos. Estará Raul Castro pronto a escutar?
 
CA: “Nós perguntamos e todos perguntaram ao Papa. Terá abordado a questão dos prisioneiros políticos ou qualquer outra específica durante o encontro com Raul Castro? O porta-voz do Vaticano garante que o Papa aborda sempre este tipo de questões, mas recusou-se a dar pormenores. Ele é menos carismático, menos direto e procura evita o confronto, neste tipo de situações.”
 
Euronews: Assistimos a incidentes durante a missa papal quando um homem gritou: “abaixo o comunismo.” Acabou por ser levado à força pelas forças de segurança e, segundo dissidentes políticos, fortemente agredido. Teve alguma informação sobre este homem ou sobre o seu paradeiro.
 
AC: “Não temos qualquer informação. A pergunta foi feita a elementos da igrega e do governo, bem como, às pessoas que estão a monitorar o que acontece aos dissidentes. Ninguém tem ideia do que aconteceu a esse homem. Mas é com certeza uma lição para aqueles que possam estar a pensar seguir o exemplo. Sejamos honestos, se um país anfitrião de uma figura de topo, seja um Papa ou um chefe de Estado, se vê confrontado com uma situação idêntica, vai tentar levar a pessoa dali. Mesmo em países democráticos. A verdadeira questão é saber o que aconteceu a essa pessoa e neste momento, e neste caso concerto, não sabemos.“