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Perante milhares de fiéis, Bento XVI celebrou, na Praça da Revolução, em Havana, uma missa de despedida do povo cubano, poucas horas antes de deixar a ilha.

O Sumo Pontífice lançou nesta homília um novo apelo à mudança e à abertura política no regime comunista, um assunto que dominou as suas intervenções nos três dias que permanceu em Cuba.

Ontem, numa peregrinação à basílica da Virgem da Caridade do Cobre, patrona da ilha, o Papa rezou por todos os que estão privados de liberdade e pelos que estão separados daqueles que amam, numa alusão às centenas de prisioneiros políticos do regime dos irmãos Castro e aos exilados.

Uma oração de esperança para as Damas de Branco, as mulheres que se manifestam semanalmente pela libertação dos seus familiares, e que acreditam que a passagem de Bento XVI pode mudar as coisas:

“É muito importante para nós, cubanos, que o Papa venha com uma mensagem de amor, de liberdade e de confiança, de fé e de paz. Isto é exatamente o que os cubanos precisam”, afirma Berta Soler Fernandez.

A Igreja Católica tornou-se na última década a instituição mais influente no terreno social em Cuba e um dos principais interlocutores do regime na negociação de algumas mudanças.

Bento XVI encontrou-se em privado com o presidente Raul Castro e, antes de deixar a ilha, encontra brevemente Fidel Castro.

Euronews: A visita do Papa a Cuba colocou a ilha no centro das atenções e renovou a esperança de mudanças económicas e políticas.

O presidente Raul Castro introduziu algumas reformas no sistema ao estilo soviético, mas até onde está disposto a ir? E de que forma pode a Igreja Católica contribuir para a criação de uma sociedade mais aberta?

Para responder a estas questões, falamos com a journalista Christiane Amanpour que se encontra em Havana.

Na sua opinião que impacto é que a visita do Papa vai ter no futuro de Cuba?

CA:“Bem, é difícil de dizer, mas posso explicar porque é que as pessoas estão a ser um pouco hipócritas. Estive aqui há 14 anos quando João Paulo II veio a Cuba e a esperança era enorme, mas pouco mudou.

Nos últimos sete anos foram introduzidas algumas reformas económicas, mas não políticas.
Ontem, um dos ministros cubanos excluiu a hipótese de se virem a realizar, no caso de ainda existirem dúvidas. Não vai haver reformas políticas, mas as económicas vão continuar.

Por outro lado, o que a visita do Papa fez em 1998 foi aumentar a influência da Igreja Católica e é isso que esperam que continue a fazer. Na verdade esta é a única instituição reconhecida. Mas as mudanças serão lentas e ninguém antecipa qualquer explosão doméstica, nenhuma revolução como temos visto no mundo Árabe. E esta é a situação no momento.

Euronews: A igreja continua a ser a maior e mais influente instituição em Cuba à margem do governo, claro. O Vaticano afirma ter feito vários apelos humanitários durante esta visita que estarão, possivelmente, ligados aos prisioneiros políticos. Estará Raul Castro pronto a escutar?

CA: “Nós perguntamos e todos perguntaram ao Papa. Terá abordado a questão dos prisioneiros políticos ou qualquer outra específica durante o encontro com Raul Castro? O porta-voz do Vaticano garante que o Papa aborda sempre este tipo de questões, mas recusou-se a dar pormenores. Ele é menos carismático, menos direto e procura evita o confronto, neste tipo de situações.”

Euronews: Assistimos a incidentes durante a missa papal quando um homem gritou: “abaixo o comunismo.” Acabou por ser levado pelas forças de segurança e, segundo dissidentes políticos, foi fortemente agredido. Teve alguma informação sobre este homem ou sobre o seu paradeiro.

AC: “Não temos qualquer informação. A pergunta foi feita a elementos da igrega e do governo, bem como, às pessoas que estão a monitorar o que acontece aos dissidentes. Ninguém tem ideia do que aconteceu a esse homem. Mas é com certeza uma lição para aqueles que possam estar a pensar seguir o exemplo. Sejamos honestos, se um país anfitrião de uma figura de topo, seja um Papa ou um chefe de Estado, se vê confrontado com uma situação idêntica, vai tentar levar a pessoa dali. Mesmo em países democráticos. A verdadeira questão é saber o que aconteceu a essa pessoa e neste momento, e neste caso concreto, não sabemos.”

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