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Fundo de resgate: OCDE acredita UE convenceu mercados

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Fundo de resgate: OCDE acredita UE convenceu mercados

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A reunião dos ministros das finanças da União Europeia, em Copenhaga (Dinamarca), na passada sexta-feira, foi informal mas terminou com uma decisão importante: cerca de 800 mil milhões de euros é quanto estará disponível para resgatar países em dificuldade.

Depois de Grécia, Irlanda e Portugal, os mercados começaram a ter dúvidas sobre a solvência da Espanha e da Itália, cobrando cada vez mais pelos empréstimos.

A Alemanha aceitou que o fundo de ajuda atual (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) – do qual sobram cerca de 240 mil milhões de euros -, seja acumulado, durante um ano (até Julho de 2013) com o mecanismo permanente de estabilidade (Mecanismo Europeu de Estabilidade). Este terá 500 mil milhões de euros e começa a funcionar em Julho de 2012.

O valor total fica aquém do bilião de euros pedido pela OCDE, FMI e G20. Mas Bruxelas considera que chegará para acalmar os mercados sobre os riscos de contágio da crise da dívida soberana. Uma crise que, contudo, contaminou a economia real e criou a maior cifra de desempregados na UE desde a introdução do euro, com uma média de 10,8%.

A correspondente da euronews em Bruxelas, Raquel Garcia Álvarez, entrevistou Ángel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a quem começou por perguntar em que é que se baseava a estimativa aconselhada de um bilião de euros e se considera que poderá ser necessário fazer um novo reforço no futuro.

Ángel Gurría/OCDE (AG/OCDE): “Baseava-se no montantes que alguns países mais endividados terão de pagar nos próximos 12 a 15 meses. E também levava em conta alguma precaução no caso de ser preciso ir um pouco mais longe, de modo a que os mercados vejam que as autoridades europeias têm não só um forte poder de fogo, como se diz, mas também a determinação para o usar se tal for necessário.”

Raquel Garcia Álvarez/euronews (RGA/euronews): “Criar um mecanismo permanente de resgate estava em discussão na agenda europeia há vários meses. Ter demorado tanto tempo a chegar a um acordo tão rígido pode ser contraproducente?”

AG/OCDE: “Penso que demorou demais, não há dúvida. Não se pode acusar os europeus de serem “muito rápidos”. Os processos de decisão soberana são demorados e, além disso existiam, como sabe, diferentes posições sobre quão longe deveria ir a Europa no que toca a estes mecanismos. Insisto que desejávamos que se tivesse ido mais longe – até ao famoso bilião de euros – mas não ficou muito longe disso. E devo acrescentar que se mostrou aos mercados que as instituições europeias, incluindo o Banco Central Europeu, estão decididas a continuar a ajudar a zona euro junto dos mercados financeiros, usando todos os instrumentos necessários.”

RGA/euronews: “Além de fortalecer o fundo de resgate para aplacar o “incêndio” orçamental, a reunião dos ministros das finanças em Copenhaga focou-se muito na situação da Espanha. Como se o fim da crise dependesse agora de Madrid. Concorda?”

AG/OCDE: “De modo nenhum, não se pode ver as coisas dessa forma. É uma maneira de passar a mensagem de que a situação de Espanha é importante, o que é verdade, mas também o é a de Itália. Deve recordar-se que os mercados estão muito vulneráveis. Ou seja, independentemente de a Espanha cumprir bem os seus deveres e da Itália também cumprir os seus; basta haver um problema noutra parte do mundo como um conflito ou aumento do preço do petróleo e do gás, para que tal se reflita nos mercados que estão numa situação frágil e que se tentam fortaceler. Os mercados europeus estão nessa categoria.”