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Confrontos de tuaregues e islamistas do Mali fazem fugir populações

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Confrontos de tuaregues e islamistas do Mali fazem fugir populações

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Milhares de pessoas fogem do Mali em busca de um refúgio seguro. Muitos vão para a Mauritânia. 200 mil fugiram das áreas residenciais e metade rumou a países fronteiriços.

Zoulfa e os quatro filhos foram para o Niger por causa da ofensiva dos tuaregues, no início de janeiro, no norte de Mali. Zoulfa fala tamashek, a língua dos tuaregues.

“- Somos nómadas, movimentamo-nos e vivemos em diferentes lugares. Na aldeia onde estávamos, fomos atacados por homens armados que nos roubaram tudo. Decidimos partir e instalamos-nos num acampamento nómada, mas os ataques continuaram”.

A região de Azawad, no norte de Mali, está povoada por tribos tuaregues, um povo de nómadas que se desloca livremente para além das fronteiras pela zona que aparece a azul no mapa.

São perto de três milhões, que vivem, maioritariamente, no Mali, falam uma língua berbere, o Tamachec, e são muçulmanos sunitas.

O Movimento Nacional de Libertação de Azawad
quer a independência desta região do Mali para instaurar uma república laica. Hama Ag Mahmoud, baseado na Mauritania, é um dos dirigentes:

“- O MNLA não tem nenhum vínculo com a Al Qaeda no Magreb Islâmico nem com Ansar Dine. Esses são movimentos jihadistas, movimentos islamistas, mas o nosso é um movimento secular. É um movimento que pretende fazer o máximo possível pelos interesses de Azawad.”

Em meados de fevereiro, os rebeldes tuaregues lançaram a ofensiva contra o exército do Mali. Muitos deles são antigos combatentes do exército de Kadafi, tuaregues que regressaram depois de ter fugido da repressão do exército mali a outras revoltas anteriores.

Entretanto, fortemente armados, levaram a cabo uma ofensiva fulgurante na área de Azawad, mas não são o único grupo armado nesta ampla região que escapa a todo controle estatal.

A Al Qaeda no Maghreb Islâmico está activa desde há muito tempo e parece ter-se aliado a outro grupo jihadista.

Efetivamente, estes islamistas armados terão tomado o controle de Tombuctu, a capital de Azawad, e expulso o Movimento Nacional de Libertação de Azawad da cidade para instaurar a Sharia.

Conhecida como a “pérola do deserto” e fundada pelos tuaregues entre os séculos XI e XII, Tombuctu é património da humanidade desde 1988. A UNESCO apelou aos beligerantes para respeitarem a cidade.