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Grécia: Gregos em estado de choque prestam última homenagem a reformado suicida

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Grécia: Gregos em estado de choque prestam última homenagem a reformado suicida

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Choque e revolta. Estes são os sentimentos dos gregos que quiseram prestar uma última homenagem ao reformado que se suicidou com um tiro na cabeça, na quarta-feira de manhã, na Praça Sintagma, em Atenas.

Na nota que deixou, o antigo farmacêutico, de 77 anos, explica que a sua reforma não dava para viver e que recusava ir à procura de comida nos caixotes do lixo. Uma nota com a qual muitos gregos se identificam.

“É uma vergonha. Ele podia ser um de nós, da nossa família. Estamos todos a lá chegar, a cometer suicídio. Hoje recebi o meu bónus da Páscoa e em vez de receber 400€, recebi 180€. Como é que posso viver? Tenho a renda, os meus filhos”, afirma Zoe Tsirogianni, de 68 anos.

“Todas as pessoas da Terra, incluindo eu, estão muito tristes com o que se passou. Os que não estão tristes são os 300 (do parlamento) “, acusa um outro reformado de 74 anos.

Esta manhã, o suicídio público junto ao parlamento fez as manchetes de todos os jornais. Manchetes por vezes extremamente fortes, como a do jornal “Ta Nea” com uma fotografia de um homem com uma arma apontada à cabeça acompanhada do título “Mensagem de desespero com suicídio público.”

O ato de desespero do reformado de 77 anos acabou por provocar grandes manifestações em Atenas e Salónica, as duas maiores cidades do país. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra as medidas de austeridade. Os protestos acabaram em confrontos violentos entre a polícia e grupos de manifestantes.

Desde 2009, o número de suicídios aumentou consideravelmente na Grécia.