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Sarajevo recorda o início do cerco sérvio há 20 anos

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Sarajevo recorda o início do cerco sérvio há 20 anos

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Há 20 anos, a Comunidade Europeia reconhecia a independência da Bósnia-Herzegovina. De imediato, forças sérvias abriram fogo sobre Sarajevo. Começava um longo cerco e uma guerra recordada nas cerimónias deste dia 6 de abril.

20 anos depois, presta-se homenagem às duas primeiras vítimas oficiais do conflito, mas continua por construir uma verdadeira ponte entre sérvios, muçulmanos e croatas.

Não estranha por isso que os residentes de Sarajevo afirmem que “as vítimas, de todos os lados, morreram para nada. Há quem pense de outra forma, mas para mim, morreram para nada, porque nada se alcançou.”

Imóvel, numa rua que guarda a memória das perto de 500 mil granadas que caíram sobre a cidade, Silvana Maric recorda o dia em que 26 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. Aguardavam na fila para comprar pão. Foi o primeiro massacre de civis em Sarajevo.

Silvana tinha na altura 30 anos e ninguém acreditava que sobreviveria aos ferimentos. Agora, orgulha-se por ter conseguido voltar a andar, a sentar-se e a levantar-se, a escrever. “Consegui recuperar todas as funções que tomamos por certas. Foi o começo da minha nova vida”.

Hoje, no concerto Sarajevo Red Line, 11 541 cadeiras vão ficar vazias, em memória dos que morreram na cidade nos quase quatro anos de cerco sérvio.

A guerra matou cerca de 100 mil pessoas e as feridas estão longe de sarar. A Bósnia é um dos países mais pobres da Europa. O desemprego afeta mais de 40% da população ativa. Dos 3,8 milhões de habitantes, 25% vive abaixo do limiar da pobreza, com menos de 1,25 dólares por dia, menos de 1 euro.