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Irão/G5+1: reunião em Bagdad marcada por Teerão

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Irão/G5+1: reunião em Bagdad marcada por Teerão

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Um acordo para começar a negociar: essa é a grande novidade que saiu, no sábado, da reunião de Istambul da representante do G5+1 e chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, e do negociador iraniano, Saïd Jalili. O objectivo é retomar as conversas sobre o programa nuclear iraniano.

Um tema complicado que Teerão se negava a tratar depois a última reunião com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, em janeiro do ano passado. Ao fracasso do passado encontro seguiram-se quinze meses de uma tensão que não tem parado de crescer. Teerão recusou prosseguir as negociações em Istambul e teimou que seriam em Bagda. O Ocidente vergou-se. Esta reunião de Istambul não passou de um acordo para começar a negociar…fora da Turquia.
Com o tempo que vai ganhando, o Irão continua a enriquecer urânio, alegadamente com fins médicos e para produção de electricidade.
A comunidade internacional, nomeadamente Israel, suspeita que o enriquecimento do urânio a 20% possa passar rapidamente a ser enriquecido a 80% para fins bélicos, nomeadamente para fazer a bomba atómica O bunker de Fordow, onde está o urânio, está por baixo de uma montanha, protegido de qualquer agressão ou espionagem.

A Agência Internacional da Energia Atómica – AEIA divulgou no mais recente relatório, em novembro, que suspeitava do caráter militar do programa nuclear iraniano.

O diretor geral, Yukiya Amano, não escondeu a preocupação:

“- Tenho esta informação e esta avaliação. Tenho de alertar o mundo. Esse é meu dever como Diretor Geral”.

O relatório levou a União Europeia a reforçar com novas sanções o embargo comercial, financeiro e petrolífero imposto em 2010 pelos Estados Unidos.

Catherine Ashton disse em janeiro:

“- Estamos a discutir e a finalizar novas sanções, estamos a concentrar-nos, principlamente, no Banco Central iraniano e nas importações de petróleo do Irão. Mas gostava de reiterar que estas medidas se integram numa proposta de aproximação. As sanções têm como objectivo pressionar a Irão a sentar-se à mesa das negociações.”

A União Europeia decidiu impor um embargo gradual ao petróleo iraniano, até à entrada em vigor em julho. Estados Unidos anunciaram novas sanções que chegarão no final de junho e têm como alvo as exportações de crude iraniano.

Istambul serviu para fixar as bases negociais do nuclear iraniano

As negociações em Istambul, na Turquia, entre o Irão e o grupo cinco mais um terminaram com ambos os lados a falar de um diálogo construtivo e positivo. Para comentar estas conversações pedimos a colaboração do Dr. Houshang Hassn-Yari, professor de Relações Internacionais e Estratégia Militar, do Real Colégio Militar do Canadá.

euronews: Sr. Hassn-Yari, os representantes do Irão insistiram que o país não vai, de forma nenhuma, parar o enriquecimento de urânio como parte do programa nuclear, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros disse no final das conversações que não vão deixar morrer as negociações. Como é que podemos conciliar as duas posições?

Hassan-Yari: Devemos ver o que significa para o Irão, “não deixar morrer as negociações”. Se é o fim do enriquecimento de urânio, então é um passo positivo para o grupo dos cinco mais um e pode ser, num certo sentido, o início do processo de criação de confiança entre os dois lados.

euronews: O Irão entrou numa nova ronda de negociações. Pode isto ser visto como uma espécie de compromisso por parte do país, para finalmente resolver o problema do programa nuclear?

H-Y: Não necessariamente. O Irão sempre participou nestas negociações e sempre saiu nos momentos cruciais, de resto, teremos que ver se as próximas negociações em Bagdade vão ser proveitosas ou não.

euronews: Então, podemos dizer que está a começar um processo de construção de confiança?

H-Y: Isto pode ser, de facto, o primeiro passo de um longo caminho. O Irão anunciou antes da conferência de Istambul que está a propor novas formas de desbloquear a questão e, de facto, a referência da Sra Ashton a conversações construtivas e úteis é, de certa forma, uma resposta positiva às propostas do negociador iraniano Saeed Jalili.

euronews: O primeiro-ministro israelita mostrou descontentamento com o momento escolhido para esta segunda ronda de negociações em Bagdade, planeada para daqui a cinco semanas. Quais podem ser as razões para esta reação?

H.Y: Bem, Israel sempre defendeu a suspensão do programa nuclear iraniano, particularmente o fim do enriquecimento de urânio, porque Israel vê isso como uma ameaça à sua existência. De resto, Netanyahu usou, nos últimos meses, algumas táticas para aumentar a pressão sobre o Irão com sanções e tentando virar a situação no sentido de um consenso global para, se necessário, atacar o Irão.

euronews: O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ali Akbar Salehi, disse que nas próximas cinco semanas até à ronda de negociações de Bagdade, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton e representantes iranianos vão preparar um plano. Como interpreta esta informação?

H.Y: Bom, tendo em conta que as conversações de Istambul eram a base para marcar futuras rondas de negociações, os dois lados devem pôr-se de acordo sobre um plano de trabalho e uma agenda e definir a forma como as negociações poderão avançar.