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FMI revê em alta o crescimento da economia mundial

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FMI revê em alta o crescimento da economia mundial

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta as previsões de crescimento da economia mundial. Desde janeiro, a organização dirigida por Christine Lagarde afirma ter havido melhorias, mas avisa que os riscos ainda são elevados e ameaçam a retoma.

O FMI prevê um crescimento mundial de 3,5% este ano e 4,1 no próximo, mas com diferença entre regiões.

A zona euro deverá sofrer uma recessão menos forte este ano, de 0,3 por cento, e voltar a crescer no próximo (0,9%). Já os Estados Unidos vão manter o dinamismo acima dos dois por cento. O Japão deverá crescer 2% este ano, com o prolongar da reconstrução, e desacelerar ligeiramente no próximo.

O FMI alerta para os riscos que continuam a pairar sobre a economia mundial, a começar pela ameaça de nova crise da dívida na Europa e os elevados preços do petróleo.

No caso da Europa, desde setembro a situação agravou-se fortemente. De 1,1% previsto de crescimento, a zona euro caiu para uma recessão de 0,3 por cento. A instituição elogia as medidas tomadas para superar a crise, mas considera-as insuficientes.

As previsões serão também diferentes para cada país. Itália deverá sofrer uma forte contração do PIB este ano e continuar no próximo, enquanto a Alemanha e a França escapam à recessão, mas não ficarão imunes.

Quanto ao emprego, o Fundo Monetário Internacional aponta para uma ligeira subida na zona euro, para uma taxa próxima de 11 por cento, e deixa um apelo ao BCE para
continuar a flexibilizar a política monetária.

A euronews falou com Jörg Decressin, chefe do departamento europeu do FMI, em Washington.

Stefan Grobe, euronews: Vimos uma certa calma regressar aos mercados à medida que os governos da zona euro avançavam com a austeridade e as reformas fiscais. Já ultrapassamos o pior da crise do euro ou a situação de Espanha e Itália pode provocar uma nova escalada da crise?

Jörg Decressin, FMI: Os riscos continuam a ser muito elevados. Nas nossas perspetivas económicas mundiais desenhamos um cenário de queda que explica como uma nova intensificação dos riscos iriam afetar a zona euro tal como o resto do mundo. Isso mostra que, se há um novo agravamento da crise, muitos países serão afetados.

euronews: Há o risco forte de contágio ao resto da Europa e mesmo fora das fronteiras europeias? Qual é a situação? A zona euro está a penalizar a economia mundial?

J. Decressin: Há vários canais através dos quais a zona euro está a contagiar o resto do mundo. Em primeiro lugar, muitos governos europeus estão a implementar duros planos de consolidação fiscal. São necessários, mas estão também a reduzir o crescimento a curto prazo e, logo, a reduzir as importações da zona euro do resto do mundo e isso afecta o crescimento de outros países. Em segundo, os bancos europeus estão também a tentar reconstruir o capital e a reduzir o crédito e outros ativos. Para isso estão a vender ativos em todo o mundo, reduzem também os créditos noutros países para melhorar a qualidade dos portfolios a longo prazo. E isto pesa também sobre o crescimento mundial.

euronews: Dê-nos uma visão dos casos grego e português. Os programas da troika estão a funcionar? Qual é o impacto na economia desses países e quais são as perspetivas de crescimento?

J. Decressin: Os programas funcionam. A situação ainda é bastante desafiante na Grécia. Em Portugal o programa avança sem percalços. O sucesso dos programas pode ser visto em vários indicadores. Primeiro, pode-se ver que os défices desses países estão a baixar de forma considerável. Segundo, vê-se que a inflação está também a baixar de forma considerável e em terceiro, vê-se o défice da conta corrente baixa também consideravelmente.

euronews: Muito do apoio ao crescimento vem da política monetária. O Banco Central Europeu (BCE) deveria injetar mais dinheiro no sistema financeiro para resolver problemas de fundos e liquidez dos bancos, mesmo se a Alemanha é contra?

J. Decressin: As políticas do BCE têm sido certamente decisivas, sobretudo, os empréstimos a longo prazo que têm sido levados a cabo. Acreditamos que o BCE deve estar pronto a implementar mais medidas semelhantes, se e quando forem precisas. Devem estar também prontos a intervir no mercado obrigacionista com o objetivo de manter as taxas baixas e assim facilitar o fluxo da política monetária para a economia real.