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Cortes orçamentais em Espanha levantam vozes da oposição

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Cortes orçamentais em Espanha levantam vozes da oposição

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O governo espanhol empreendeu a cruzada contra o déficit, começando por adotar um plano de cortes orçamentais para economizar mil milhões de euros. Porque o plano afeta a Educação e a Saúde, as críticas foram imediatas e o executivo foi obrigado a justificar-se. Soraya Sáenz de Santamaria, vice-primeira-ministra:

“- São precisas reformas que nos permitam cumprir os objectivos de déficit porquanto houve uma queda muito importante dos rendimentos, e por isso, dos recursos”.

Espanha fechou o ano de 2011 com um déficit de 8,5%. Comprometeu-se com a União Europeia a reduzi-lo até 5,3% até ao fim do ano.

A missão é difícil e, segundo insiste o governo, requer sacrifícios. Os reformados estão entre os mais afetados, pois vão pagar os medicamentos pela primeira vez: cabe-lhes o pagamento de 10% da fatura vermelha (que até agora significava isenção), entre 8 e 18 euros ao mês, dependendo dos rendimentos.

A população ativa passará a pagar 60% cento dos medicamentos e o Estado a comparticipar até 40%.

A educação, outro dos pilares de o Estado previdência, saído da transição do franquismo para a democracia, também sofre cortes orçamentais. O número de estudantes por turma vai aumentar 20% e o custo das matrículas vai passar para 50% do preço atual. É mais uma medida impopular e arriscada pois afeta, principalente, 17 regiões autónomas que absorvem 50% da despesa pública espanhola.

A oposisão acusa o governo central de Madrid de preparar um plano de culpabilização das comunidades por incumprimento do déficit.

Todos os partidos políticos de esquerda acreditam que os cortes orçamentais de nada servem se não forem acompanhados de medidas de estímulo da economia, que entrou de novo em recessão.

Espanha terminou o ano em negativo e os dados do primeiro trimestre de 2012 confirmam-no. O Banco de Espanha avisa que o pior ainda está para vir.

Prevê-se uma perda anual de 4% dos postos de trabalho, o que se vai traduzir numa taxa de desemprego na ordem dos 24%.

Desde a explosão da bolha imobiliária de 2008, o investimento na construção civil e nas obras públicas ficou congelado.