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Austeridade desertifica Portugal

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Austeridade desertifica Portugal

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O Parlamento português foi o primeiro Estado da União Europeia a aprovar, na generalidade, a regra de ouro do equilíbrio orçamental com os votos favoráveis da maioria dos deputados.
Foram instauradas sanções automáticas em caso de derrapagem do déficit estrutural, limitado a 0,35 do PIB, do déficit público para além de 3% e da dívida pública, fixada em 60% do PIB.

Era essencial a ratificação pela maioria dos deputados portugueses, porque o país está sob supervisão da troika. E isso desde que recebeu, em maio de 2011, um empréstimo internacional de 78 mil milhões de euros em três anos.

Em troca, Lisboa conseguiu fazer o déficit de 9,8% ao 4,2% num ano, mas a enorme dívida pública continua a aumentar, e atingirá 115% do PIB no final do ano.

As medidas de austeridade acentuaram a recessão económica e dispararam a taxa de desemprego que, em fevereiro, atingiu 15%.
Uma situação dramática para pessoas como Henrique Leal, operário e pintor de 46 anos.

Fernanda Zera, secretária titulada em administração vive com 400 € mensais de desemprego desde faz dois anos. Trabalha para a associação Auxílio e Amizade a mudança de alimentos.

“- A classe média está a desaparecer. Eu fazia parte dessa classe média, agora não sei a que classe pertenço. Faço o que posso para sobreviver”

Sobreviver em Lisboa ou em outras cidades portuguesas é a cada vez mais difícil. Os jovens estão a regressar às aldeias dos avós que, nos anos 60, protagonizaram o êxodo rural.

“- Em Lisboa estava a ser muito complicado encontrar trabalho. Consegui esta oportunidade, a qualidade de vida, as condições, são melhores. Por isso decidi mudar ao campo e começar uma nova vida de agricultor.”

Apesar disso, o interior de Portugal está desertificado e os jovens licenciados continuama emigrar.