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Myanmar: UE suspende sanções, mas ficará vigilante

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Myanmar: UE suspende sanções, mas ficará vigilante

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Depois de meio século de isolamento, políticos e homens de negócios de Myanmar podem retomar os laços com o resto do mundo.

Esta segunda-feira, a União Europeia suspendeu sanções contra cerca de 500 pessoas e 1000 organizações no país, também conhecido por Birmânia.

Um voto de confiança após as eleições parciais, de 1 de abril, ganhas pela Liga Nacional para a Democracia, na oposição, liderada pela Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

Mas Bruxelas é cautelosa, mantendo o embargo sobre armas. O levantamento definitivo de sanções poderá ocorrer dentro de um ano.

“Vou visitar o país no próximo fim-de-semana, para entregar a mensagem deste Conselho e também para abrir um escritório da União Europeia. Estamos a avaliar atentamente os desenvolvimentos, mas o nosso objetivo é apoiar o progresso que tem sido feito, de forma a que se torne irreversível”, disse a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros.

A decisão diplomática foi tomado no mesmo dia em que os deputados eleitos pela Liga Nacional para a Democracia, incluindo Aung San Suu Kyi, decidiram não participar na cerimónia de juramento parlamentar.

Querem usar a palavra “respeitar” a Constituição, em vez de “salvaguardar”, porque não concordam com o poder que ainda concede aos militares. Um episódio que mostra quão frágil é a situação política deste país de 50 milhões de pessoas, no sudeste da Ásia.

A correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva, entrevistou a perita em assuntos asiáticos Shada Islam, directora de estudos do think tank “Friends of Europe”, que defende o apoio europeu ao processo democrático em curso.

Isabel Marques da Silva/euronews (IMS/euronews): “Em vez de levantar, a UE decidiu, esta semana, suspender as sanções contra Myanmar por um ano. Bruxelas quer mais progresso na libertação de presos políticos e no processo de paz com as minorias étnicas. Quão alto é o risco de retrocesso no processo de reforma democrática?”

Shada Islam/Friends of Europe (SI/FoE): “Penso que é uma decisão muito inteligente, muito sábia, porque exige garantias de que o processo de reforma vai continuar. A minha impressão é que a realação do governo civil, apoiado pelos militares, com a Liga Nacional para a Democracia é um trabalho em curso. Deverá continuar a evoluir num sentido positivo, mas não há uma garantia total, não temos certeza absoluta”.

IMS/euronews: “A principal líder do oposição, Aung San Suu Kyi, e outros deputados eleitos na votação parcial de 1 de Abril, adiaram a cerimónia de juramento. É um gesto simbólico da oposição para mostar que está realmente decidida a desafiar o governo?”

SI/FoE: “Penso que é simbólico e é importante que Aung San Suu Kyi e a Liga tenham tomado essa posição porque a expressão era “defender e salvaguardar” a Constituição, que na verdade foi redigida pelos militares. Ou seja, querem deixar claro que a sua ambição é que Myanmar seja realmente uma democracia. É muito importante que esta mensagem de Aung San Suu Kyi passe para o exterior. Ela está disposta a cooperar com o governo civil, está disposta a cumprir as regras do jogo. Participou nas eleições e ganhou-as por uma grande maioria. Tudo isso é muito bom, mas ela também quer que fique claro para a comunidade mundial que não é um brinquedo, uma marioneta nas mãos do regime”.

IMS/euronews: “Mas, embora seja uma académica e ativista pela liberdade e democracia, não tem experiência política em termos práticos. Há quem a mencione para Ministra dos Negócios Estrangeiros. Qual é a sua previsão sobre o papel que poderá ter no futuro?”

SI/FoE: “Penso que ela terá sempre um papel muito importante em Myanmar, uma papel icónico. No mundo de hoje, a experiência vem com o tempo. É uma mulher muito sábia, sabe exatamente como lidar com os generais, sabe como lidar com as minorias étnicas, faz parte da sociedade brimanesa.”

IMS/euronews: “Voltando às relações entre União Europeia e Myanmar. Catherine Ashton, chefe da diplomacia, visita este fim de semana o país, vai inaugurar um escritório da União Europeia e convidar os membros do Governo e também Aung San Suu Kyi para virem a Bruxelas. Qual deve ser a orientação política da União a partir de agora? “

SI/FoE: “A União Europeia tem um papel muito, muito importante a desempenhar em Myanmar, através dos seus programas de educação, através de programas de saúde, do que faz com as organizações não governamentais…”

IMS/euronews: “Mas diria também com as instituições, em termos de administração e de preparação do processo para as próximas eleições seguintes?”

SI/FoE: “Myanamar tem enormes problemas económicos, tem problemas de governação. É um país com muitos recursos naturais, como sabemos – pedras preciosas, petróleo, madeira, etc. Mas, na verdade, explorá-las requer muita capacidade, talento e também dinheiro.”

IMS/euronews: “O que UE pode oferecer adicionalmente em termos de investimento e relações económicas a fim de obter benefícios para si, mas também ajudando o país a desenvolver-se no caminho certo, digamos?”

SI/FoE: “As nossas empresas são das melhores do mundo, podem transferir tecnologia, podem ajudar na capacitação, têm os recursos para investir e têm muita competência. Myanmar, ou Birmânia – nome usado por muitas pessoas – vai ser um “tigre” económico. Os países vizinhos estã a prosperar em força, pelo que vêm pressões de todo o lado e penso que vai ser algo muito emocionante”.