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Madrid apresenta plano controverso de reinserção para os prisioneiros da ETA

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Madrid apresenta plano controverso de reinserção para os prisioneiros da ETA

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O governo espanhol apresentou, esta quinta-feira, um plano de reinserção dos prisioneiros da ETA, que inclui a possibilidade de transferência para prisões próxima do domicílio – como pedem as famílias e outros apoiantes dos etarras.

Condição ‘sine qua non’ para integrar o plano de reinserção: abandonar a violência, como explicou o ministro do Interior, Jorge Fernandez Diaz: “Se um preso da ETA manifesta rotunda, clara, firme e solenemente a sua vontade de abandonar a organização terrorista ETA, essa é uma condição necessária para ingressar neste programa.”

Para além renunciarem à violência, os presos devem colaborar com a justiça e assumir responsabilidades civis.

O nacionalista Josu Erkoreka, do PNV, apoia a medida, que não se aplica apenas aos 600 etarras mas também aos cerca de 500 membros do crime organizado e terroristas de outras organizações, atualmente detidos nas prisões espanholas: “Trata-se de uma medida positiva, que saudamos, celebramos e apoiamos.”

Os interessados terão aulas de “valores da convivência” e formação profissional – para se reinserirem na sociedade quando recuperarem a liberdade.

Para o Bildu, o braço político da ETA, o plano não oferece nada de novo. “Não supõe um avanço substancial”, diz Martin Garitano, que acrescenta: “Creio que a sociedade basca exige a repatriação imediata de todos os presos políticos bascos.”

O plano do governo – que se sucede ao anúncio da ETA, feito em outubro, de renúncia definitivamente à violência – é visto pela associação Vozes contra o Terrorismo, como “uma traição” às mais de 800 vítimas mortais da organização e uma forma de deixar impunes os etarras, que nem sequer são obrigados a pedir “perdão” às vítimas.