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Imigração: tema quente da extrema-direita grega

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Imigração: tema quente da extrema-direita grega

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Este é o primeiro centro de detenção construído propositadamente para acolher imigrantes clandestinos, na Grécia, e foi inaugurado este fim de semana, em Atenas. Os primeiros 56 ilegais chegaram no domingo. O centro pode acolher um milhar.

Em plena crise económica e a uma semana da segunda volta das eleições, a imigração tornou-se um dos temas quentes da campanha eleitoral.

O, até há pouco, obscuro partido de extrema-direita, Aurora Dourada, voga na onda e não esconde o discurso xenófobo. “As fábricas gregas têm de renascer; as suas chaminés devem voltar a deitar fumo. E, obviamente, todos os imigrantes ilegais devem partir. Se todos os imigrantes ilegais – que são mais de três milhões – se fossem embora, libertariam três milhões de postos de trabalho para os gregos”, defende Giorgios Germenis, ideólogo e candidato da “Aurora Dourada”

Um discurso que seduz cada vez mais eleitores descontentes como os partidos tradicionais, tanto de esquerda como de direita. “Estamos desesperados”, diz um ateniense, que continua: “Não confiamos no Pasok nem na Nova Democracia. Por isso, olhamos para a Aurora Dourada e para outros partidos mais pequenos.”

Mas fazer dos imigrantes bode expiatório da crise que há cinco anos atinge a Grécia é uma receita perigosa, alerta Ketty Kehagioglou, porta-voz da ONU para em Atenas: “Este tipo de retórica que estigmatiza de forma generalizada as pessoas vulneráveis só beneficia, a curto prazo, quem faz alastrar os medos. Mas a longo prazo é muito perigoso para a sociedade em geral.”

A médio prazo, isso significa que a Aurora Dourada, com 5% das intenções de voto, está em boa posição para garantir pelo menos um assento no Parlamento.

Mas num país que suportou a fome durante a ocupação nazi e que sofreu detenções e torturas durante a ditadura dos coronéis, esta nova vaga alarmou muitos gregos que recentemente saíram à rua para dizerem “não” ao racismo e neonazismo.