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Debates, sondagens e tendência - qual a relação existente?

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Debates, sondagens e tendência - qual a relação existente?

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Milhões e milhões de franceses de olhos postos no debate televisivo desta quarta-feira, entre os dois candidatos à presidência da república. Mas será que um debate pode mesmo mudar algo? – Foi a pergunta que fizemos a Gaël Sliman, diretor do instituto de sondagens BVA Opinion.

“Bem, os debates televisivos existem há cerca de 40 anos. Nunca inverteram tendências – ou, pelo menos, isso nunca foi provado. Todas as sondagens efetuadas antes e depois dos debates mostraram que não houve mudanças”, explica Sliman.

euronews: Quais são as tendências de transferência de votos entre a primeira e a segunda volta?

G. S.: Por um lado, os eleitores de extrema-esquerda, de Jean-Luc Mélenchon, na sua imensa maioria – praticamente nove em cada dez – preparam-se para transferirem o voto para François Hollande. Mas os eleitores de extrema-direita, os que votaram em Marine Le Pen, estão muito mais divididos. Só seis em cada dez se preparam para votar em Nicolas Sarkozy e 20% estão mesmo dispostos a votar em François Hollande.

euronews: Que peso podem ter as abstenções e os indecisos?

G. S.: Há uma parte significativa dos eleitores que conta votar e já sabe em quem. E os abstencionistas também estão certos da sua decisão. Ouvimos Marine Le Pen apelar ao voto branco – ou mesmo à abstenção. É possível que os seus eleitores a sigam e, nesse caso, a derrota de Nicolas Sarkozy será ainda maior do que aquilo que está atualmente previsto. Pelo contrário, se os eleitores da Frente Nacional se mobilizarem, então é bem possível que isso permita que Nicolas Sarkozy reduza a diferença que o separa de François Hollande.

Estes são dias intensos, para os profissionais dos institutos de sondagens. Mas, sondagens à parte, é o próprio clima da campanha que continua a aquecer. Até domingo, vai sem dúvida haver muitas oportunidades de debate, discussão e polémica.